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Blogue do Apostolado da Oração

Francisco, os Embriões e a Porcaria

 

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1. Há situações que me fazem regressar a temas sobre os quais tinha decidido deixar de escrever, não por falta de importância, mas por considerar os mesmos culturalmente decididos. É o caso do aborto livre a pedido. Sendo o “buraco negro” daquela que, apesar de tudo, continuo a chamar civilização ocidental, encontra-se, não obstante, culturalmente encerrado. A sua legalização não tem volta atrás e mesmo aqueles que nos opomos claramente a isso precisamos de o assumir, se queremos encontrar propostas alternativas capazes de manter vivo o direito dos nascituros à vida.

 

2. Recentemente, confrontei-me com uma dessas situações. O Papa Francisco, numa das suas publicações no Twitter, escreveu: “Nenhum fim justifica a destruição de embriões humanos”. Nada de extraordinário, trata-se da doutrina constante da Igreja sobre o tema. Extraordinário foi o comentário, também no Twitter, de uma das mais emblemáticas paladinas do aborto livre a pedido e de todas as outras causas fraturantes. Escreveu: “crianças a morrer por todo o lado e este preocupado com a porcaria dos embriões”.

 

3. Como se pode acreditar na preocupação pelas “crianças a morrer por todo o lado”, quando os embriões humanos são “porcaria”? E como se pode olhar para os embriões humanos – humanos, não de galinhas ou de macacos – como porcaria? Pode-se, sim, para lhes retirar a humanidade, a sua única defesa face ao abortismo militante. Desumanizadas, as crianças ainda por nascer são facilmente incluídas na cultura do descartável de que fala tantas vezes o Papa.

 

4. Escrevi acima que o aborto livre a pedido é o “buraco negro” da civilização ocidental. Eis porquê. Tendo eliminado o respeito por algumas vidas – as mais frágeis e invisíveis – acabará sugando o respeito por toda a vida: começa-se no aborto, continua-se na eutanásia para os muito idosos e doentes incuráveis que a desejem e, a seu tempo, irá tudo quanto fica pelo meio. Bastará ser desagradável – uma porcaria – para o culturalmente correto do momento.

 

Elias Couto