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Blogue do Apostolado da Oração

Rancor, vingança e telenovelas

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O rancor é uma aversão funda a alguém, muitas vezes motivada pela dor que essa pessoa nos causou por querer ou mesmo sem querer. Depois essa dor cresce dentro de nós, é alimentada por nós e esse sentimento transforma-se em rancor, um sentimento que nos corrói.

 

Há pessoas que nos magoam de propósito. Provocam-nos uma ferida e nós ficamos a pensar naquilo sem termos desejo de nos libertamos daquele pensamento. E é essa ausência de desejo de nos libertarmos do pensamento que nos magoa que nos provoca o rancor. Ficamos agarrados ao pensamento que nos magoa; não fazemos nada para nos libertarmos dele e a dor vai-se adentrando, vai começando a roer lá dentro, vai-nos causando uma má disposição que emerge de tempos a tempos. Devemos distinguir esta situação daquela em que uma ferida é impedida de fechar devido à dor infligida permanentemente. É uma situação diferente cuja explanação não é para aqui.

 

E há pessoas que nos magoam sem querer. Há pessoas cujo bem-estar, cuja riqueza – ou qualquer outra coisa – nos magoa e se essa dor é alimentada por nós transforma-se em rancor. Há pessoas que vivem permanentemente feridas com o bem-estar alheio. Às vezes dentro da própria família. Uma vez ouvi uma pessoa dizer que quando vê um carro de luxo se lembra sempre de traficantes de droga. É a inveja disfarçada. É o rancor a sair cá para fora. A condição da dor se transformar em rancor é a pessoa sentir-se bem com essa dor. O rancor tem alguma coisa de masoquismo. A pessoa quer continuar a pensar na causa daquela dor. E assim o rancor vai-se transformando em azedume, vai tirando paz e mansidão ao coração, vai semeando a cizânia.

 

O rancor evita-se com alegria no coração. Uma pessoa alegre é menos propensa ao rancor. E à alegria no coração chega-se com a realização consigo próprio. Uma pessoa insatisfeita é muito mais propensa ao rancor. Uma coisa é nós sentirmos falta disto ou daquilo – até de certas qualidades – outra coisa é vivermos amargurados com isso. Devemos concentrar-nos numa vida realizada, numa vida feliz, numa vida cheia.

 

Mas para o cristão uma vida não é cheia sem Deus. Nós não afastamos o rancor com um truque psicológico. Afastamos o rancor com a oração, afastamos o rancor com a identificação com Deus, afastamos o rancor amando. Temos de pedir a Deus que nos transmita o seu amor e amar aquele que nos fere rezando por ele, em vez de mantermos a ferida aberta.

 

Gonçalo Miller Guerra, sj

 

 

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