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Blogue do Apostolado da Oração

Salvadores do Planeta Terra? Tu e eu!

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É comum a tendência de situarmos as soluções dos problemas para além de nós. Normalmente acima de nós: autoridades internacionais, presidentes e ministros, chefes, superiores e dirigentes. Os outros em geral, e os grandes em particular, hão de oferecer-nos as soluções de que precisamos. Parafraseando, em positivo, o autor de O ser e o nada, «a solução são os outros».


Há tempos encontrei este pensamento de uma pacífica revolucionária, que transformou ambientes profundamente degradados, com pessoas a morrer na rua, criando espaços de acolhimento fraterno: «Primeira coisa a mudar na Igreja? Tu e eu».

 

Esta provocação é da Madre Teresa de Calcutá. Ela optou por fazer o que via ser possível, renunciando a lamentações e protestos, atitudes de quem se demite de ser autor de mudança, endossando a responsabilidade para os outros, para os que mandam. Também ela afirmou: «Mais do que protestar contra as trevas, importa acender um simples fósforo». É que nunca os protestos consertaram uns fusíveis, substituíram uma lâmpada ou acenderam uma vela. Gestos simples, acessíveis a qualquer pessoa, têm feito isso e muito mais.


Estas reflexões vêm a propósito da nova Encíclica do Papa Francisco «sobre o cuidado da casa comum», que é o nosso planeta Terra. É bom sublinhar a evidência de que não temos outro astro, alternativa para onde possamos ir morar, quando a degradação da ecologia humana chegar a um tal ponto que torne a Terra inabitável. Felizmente que, em geral, tem tido bom acolhimento este grito profético, fazendo tocar os sinos a rebate, pois deixar passivamente que se agravem os problemas, sem tomar medidas práticas, é como ficar desleixadamente sentado na esplanada de um café, quando uma casa ao lado está a arder.


«O meio ambiente é um bem coletivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos» (n. 95). Naturalmente que governantes, autarcas e outras entidades têm uma obrigação especial no cuidado da casa comum, mas todos temos o dever de tratar bem a nossa casa para que seja mais limpa, bela e saudável.


O Cardeal Peter Turkson, Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, assim afirmou numa entrevista: «A Encíclica é dirigida a todos e a cada um, de acordo com a sua vocação. Esta Encíclica pode ajudar cada pessoa a desempenhar um papel na salvação do planeta. Ela lembra a todos de olhar para o seu estilo de vida e para os seus hábitos e ser coerentes com a sua esperança para o futuro do mundo. Quando comemos ou vamos deitar fora um papel, devemos pensar no modo certo de fazer isso. Ou, por exemplo, podemos ir de bicicleta ou num transporte público em vez de ir de carro... Podemos economizar energia, e assim por diante. São apenas alguns exemplos para quem quer ajudar a salvar o planeta que o nosso Deus nos ofereceu».


O Papa Francisco desafia-nos a uma «conversão ecológica» (expressão repetida meia dúzia de vezes). É que os pecados (e muitos são atrozmente mortais e mortíferos) são aos milhões, com prejuízo de todos. A nossa querida Terra precisa de ecológicos praticantes, no nosso estilo de vida quotidiana.


Salvadores do Planeta Terra? Tu e eu!

 

Manuel Morujão, sj

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