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Blogue do Apostolado da Oração

Temperar a Vida

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Na Mensagem para a Quaresma deste ano, que acaba de ser divulgada, o Papa usa a parábola de Lázaro e do homem rico para nos fazer refletir sobre a importância do dar-se ao(s) outro(s). Segundo Francisco, este texto convida-nos a “abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido”.

 

Na nossa vida, na nossa maneira de pensar e no nosso modo de agir, ver o outro como um dom pode traduzir-se na simplicidade de um sorriso que transmitimos a uma pessoa que sentimos estar triste ou num olhar dirigido a um pobre que encontramos na rua (podemos nem lhe oferecer ajuda material, mas o nosso olhar de proximidade terá até mais sentido que a moeda que pudéssemos oferecer).

Os afazeres pessoais, profissionais, sociais e familiares em que nos vemos envolvidos diariamente acabam por vezes por nos envolver numa sequência mecânica de gestos e atitudes que, mesmo envolvendo a relação com outras pessoas, nos mantêm de certa forma algo distantes delas.

Para ver os outros como um dom, não precisamos de mudar de vida, não precisamos de deixar os nossos afazeres diários para nos dedicarmos exclusivamente aos outros, como que buscando um comportamento imaculado. Não é preciso deixarmos de nos preocupar connosco e com o que é essencial para termos uma vida digna. Aliás, nem é bom que tal aconteça.

É simplesmente necessário aproveitar de outro modo ritmos e ações de todos os dias, temperando-os de um modo diferente. Por exemplo, se sou estudante, posso ajudar um colega que vejo em dificuldades e que em momentos anteriores ignorei. Se sou trabalhador, posso pensar nos que vão beneficiar do meu trabalho (dos quais muitas vezes não me lembro), e pôr um empenho diferente naquilo que faço. Se sou pai/mãe, posso dar um sabor diferente às rotinas diárias, encarando-as como um momento de entrega aos filhos e não como um fardo que obrigatoriamente tenho de carregar.

Tendo por base a Mensagem do Papa, a Quaresma que se aproxima pode ser um momento oportuno para efetivamente começarmos a abrir a porta do nosso coração ao outro, vendo-o como um dom. Sintamos que não estamos sozinhos neste barco, que esta é uma missão de todos. E, utilizando as palavras de Francisco, “rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa”.

 

Cláudia Pereira