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Blogue do Apostolado da Oração

O BRILHO DAS RUÍNAS

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1. Na Suécia, as parteiras não têm direito à objeção de consciência. Ou aceitam praticar abortos ou é-lhes negado o emprego. Se estiverem empregadas e recusarem colaborar na barbárie legalizada, podem ser despedidas e processadas judicialmente. A Sra. Steen, parteira diplomada, viu ser-lhe recusado o emprego precisamente por declarar à responsável pelo setor de enfermagem a sua recusa em praticar abortos. A gerência da clínica enviou-lhe uma carta, na qual consta: “Não temos a política nem o costume de deixar espaço algum à objeção de consciência. Não podemos nem queremos trabalhar com tais exceções”. Como é coerente a intolerância dos “tolerantes”... Pode ler a notícia completa aqui.

 

2. Na Bélgica, a eutanásia, aprovada com as mais estritas regras de controlo, afinal, está completamente descontrolada. A “morte digna” tornou-se uma parada de horrores, com médicos que pedem aos familiares para segurarem os sacos de soro onde está o veneno que vai matar os seus familiares, com gente que pede a eutanásia por estar deprimida e quando recua no pedido “já não vai a tempo”... e o muito mais que pode ver aqui. Em construção, diz um dos afetados, está “uma sociedade da ‘qualidade’. Só os melhores sobrevivem”.

 

3. O Governador do Estado da Geórgia, Estados Unidos, vetou uma lei que protegia a liberdade religiosa de indivíduos e instituições, de modo a não serem perseguidos judicialmente por se recusarem a colaborar em celebrações de “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo. Nos Estados Unidos, os pasteleiros que se recusavam, por questões religiosas, a fazer o “catering” de tais cerimónias já podiam ser levados judicialmente à ruína. Agora, no Estado da Geórgia, também as Igrejas, os pastores, os presbíteros poderão ser levados a tribunal por se recusarem a oficiar os ditos “casamentos” ou a alugar os seus lugares de culto para fins que contradizem ensinamentos fundamentais da sua fé.

 

4. Para lá das fachadas vistosas e das proclamações grandiloquentes de princípios, da civilização que já fomos restam interiores a desfazer-se em pó. As nossas ruínas ainda brilham, brilham até mais do que antes, mas é só aparência. Fazemos marchas contra o terrorismo, mas não acreditamos que os que nos matam o fazem porque nos querem matar. A culpa é sempre nossa, do que fomos e do que ainda não conseguimos ser – se, ao menos, conseguíssemos ter ainda mais vergonha dos valores que nos fizeram ser o que somos!

 

5. João Paulo II viu muito disto (cf. Ecclesia in Europa), mas sonhou também com uma “nova evangelização” que traria uma nova “primavera do Cristianismo”. Nisto, o grande Papa estava errado. No Ocidente o sol põe-se e não há lugar para nenhuma “primavera do Cristianismo” – e até entre os católicos, muitos já perceberam de que lado sopram os ventos e desfraldaram as velas para seguirem o ar do tempo.

 

6. Relativamente ao seu passado cristão, o Ocidente já atingiu o ponto de não retorno. O caminho, agora, é outro, mais preocupado com “islamofobias” imaginárias do que com “cristofobias” quotidianas – as quais são promovidas ativamente e merecem títulos de primeira página nos media. Entretanto, o mesmo Ocidente acolhe emigrantes islâmicos aos milhões, que não têm nenhum complexo em afirmar os valores por que se regem e em rejeitar os valores seculares daqueles em cuja terra vieram habitar.

 

7. Durante mais algum tempo, permaneceremos de pé, no meio das ruínas, recusando vê-las. Talvez possamos ignorar que o mundo de onde viemos chegou ao seu fim e vai morrendo, calado, nas salas de parto feitas salas de morte ou nas clínicas dedicadas à “morte digna”. E passaremos, silenciosos, encolhendo os ombros, porque “agora é assim e não há nada a fazer”. Os nossos filhos e netos, esses já irão viver no “admirável mundo novo” onde a memória de coisas indiscutíveis como “direito à vida desde a conceção à morte natural” ou “liberdade religiosa” ou “liberdade de pensamento e expressão” ou “dignidade inviolável da pessoa humana” será eventualmente deixada aos velhos livros de História, num tempo em que tais direitos dependerão das maiorias do momento ou serão alheios à cultura dominante.

 

Elias Couto

 

 

SANTA PÁSCOA!

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Neste ano Jubilar da Misericórdia, a Páscoa assume-se como um convite mais intenso a conhecermos profundamente o centro da nossa fé. É na celebração do mistério pascal de Jesus, a sua morte e ressurreição, que experimentamos o que significa “levar até ao extremo o seu amor” (cfr. Jo 13) pelos discípulos. A morte de Jesus na cruz, que nos salva da morte do nosso pecado, é a maior proximidade de Deus com a nossa fragilidade humana. Nunca estamos sós nos nossos sofrimentos, por maiores que sejam. Temos um Deus que vai até aos nossos lugares mais escuros, para que não fiquemos aí, mas para que sejamos ressuscitados, trazidos para a sua vida.

Celebrar a Páscoa neste ano da Misericórdia é também um compromisso a não nos deixarmos ficar fechados nos túmulos do Ressentimento e do egoísmo. Não perdoar é permanecer na morte, porque não deixamos que o amor se expresse. Não é fácil, mas é o caminho da vida! Se o próprio Deus não o evitou, não seremos nós capazes, com a sua graça, de seguir o seu exemplo, mando como Ele ama?

O Secretariado Nacional do Apostolado da Oração deseja a todos os seus amigos uma Páscoa vivida no conhecimento do imenso amor de Jesus por cada um de nós e que a paz, a alegria e o perdão sejam a marca da nossa vida de Ressuscitados em Jesus!

Uma Santa Páscoa!

P. António Valério, sj

DEUS NÃO NOS QUER ROBOTS

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No que toca a encontrar uma pessoa para a vida, lembro-me de estratégia empresarial. Segundo a “Resource based view”, uma empresa para encontrar vantagem em relação aos concorrentes, antes de olhar para as outras, imitá-las e tentar ficar à frente, tem de olhar primeiro para o interior e encontrar aí as forças únicas e crescimento necessário que lhe permitirá vencer num mundo competitivo. Claro que encontrar uma pessoa não é uma guerra como no mundo selvagem! (se bem que por vezes há pessoas concorridas!).

 

Trate primeiro de si

O que estou a dizer é que se sempre sonhámos encontrar uma pessoa e casar, não depende só da outra pessoa ser adequada para mim, mas de ambos o serem um para o outro. E de estarmos ou não “in the mood for love”. O que é que isto significa? Antes de tentarmos encontrar uma pessoa ao nosso gosto, devemos mudar-nos a nós próprios. Às vezes pensamos que para encontrar uma pessoa, basta o nosso esforço de procurar ou apenas esperar que a vida ou Deus nos proponha alguém. Pode ter algo de verdade, mas não chega. Se quer casar e ainda não encontrou a pessoa certa, não se aflija. Trate primeiro de se conhecer, dar valor às suas qualidades, esforçar-se por corrigir defeitos, rezar, trabalhar, crescer, ocupar o tempo com coisas de que gosta. E rezar muito. Com certeza que encontrará e mesmo que não seja o que está à espera, é fantástico ser surpreendido!

 

A importância da família

Daí ser tão importante ter uma família que nos ensine a amar, a perdoar, a rezar, a trabalhar, a acreditar em nós próprios, a não desistir. Depois, o trabalho também é nosso e a uma certa altura na nossa vida, muito nosso, pois não basta rezar, há que também confiar e procurar soluções concretas na vida comum. Deus não nos quer robots, mas ativos e interessados em encontrar soluções por nós!

 

Procurar o Reino primeiro

A minha experiência tem-me demonstrado a frase do Salmo 128 que o meu pai me recitava em pequeno, “Bem aventurado aquele que teme o Senhor e anda nos seus caminhos (...) será feliz e tudo lhe correrá bem”. Gostava de dizer que infelizmente o terceiro versículo ainda não se concretizou (o que fala nos filhos), mas isso não significa que a vida tem sido desinteressante, antes pelo contrário!


Depois, é importante seguir a nossa intuição sobre as pessoas, ou seja, se aquela pessoa me atrai, isso é muito bonito. Se saio com ela e esse sentimento cresce, é das coisas mais belas da vida. Mas atenção! Se há discrepâncias quanto a temas fundamentais, é melhor pensar se aquela será uma pessoa com quem eu quero ficar para o resto dos meus dias. Se quero casar pela Igreja e esperar que essa relação dure, não nos esqueçamos do Salmo 128. E isso é algo de essencial, pois grandes diferenças, mais tarde ou mais cedo darão problemas no casamento!

 

O Amor é uma grande aventura e, como qualquer uma, necessita de preparação, pois como nos diziam no CPM (curso de preparação para o matrimónio), o casamento não é um fim, mas um início de uma caminhada a dois. Diria mais, a três. E só com Deus perceberemos os caminhos insondáveis e fantásticos que Ele nos reserva, se confiarmos.

 

Uma missão em casal

Como eu e a minha mulher Marta percebemos que a Fé é muito importante para a nossa vida de casal, pensámos que seria muito bom juntar mais pessoas católicas, desejosas de encontrar “A pessoa”, mas que ainda não o conseguiram. E no ano passado essa possibilidade aconteceu, tendo sido convidados para abrir em Portugal o site www.datescatolicos.org, uma plataforma online para quem procura o amor da sua vida e quer partilhar fé e valores. Numa sociedade cada vez mais pluralista, não temos escrito na testa que somos católicos! Com um espaço em que estão outras pessoas com os nossos valores, a combinação pode acontecer mais facilmente! Pertencente a um grupo de nove países, encabeçado pela Áustria (www.kathtreff.org), este projeto já tem dado muitos e bons frutos e só na Áustria, Suíça e Alemanha, já conta com 400 casamentos! Em Portugal, desde outubro, já somamos três mil membros e muitas histórias de pessoas que encontraram alguém de quem gostam e pensam num futuro em comum!

 

António Pimenta de Brito

Cofundador do site www.datescatolicos.org

 

 

 

 

EUTANÁSIA POIS ENTÃO!

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Um país com todos os problemas resolvidos, a mulher (Escrevo esta nota no “Dia Mundial da Mulher”) finalmente livre e senhora do seu corpo, os casamentos gay legalmente reconhecidos e o direito à adoção de filhos conquistado, bem pode respirar a plenos pulmões os ares da felicidade do “bem viver”. Custou, mas foi. Pode, pois, começar a tratar do ingente problema do futuro, que é o “bem morrer” (“Eu-tanásia”). Imagino desde já filas e filas de portugueses a baterem à porta dos médicos, pedindo-lhes a mercê e a grande graça de “bem morrer”. Felicidade plena: viver bem e morrer melhor! País na linha da frente e modelo de modernidade! Perante tal novidade, político ou jornalista que se preze põe rosto sério de pensador para concluir que a eutanásia é assunto urgente e merecedor de discussão serena e profunda.

E porque não morrer feliz e com música de fundo? Pelo menos isto é o mínimo que se pode exigir. Em nome da liberdade, da dignidade e da decência, claro está! Com tantos meios técnicos ao dispor da medicina, dispensamos perfeitamente a dor e os sofrimentos desumanos e, como último recurso, se necessário, até dispensamos a própria vida. Morrer sim, já que tem de ser, mas ao menos morremos livre e dignamente, para não dizer felizes e contentes.

Não sei o que vai acontecer neste país das maravilhas, mas temo pelos velhos para já “abandonados” e depois “descartados”, pelos doentes mentais que, não podendo decidir, outros decidirão por eles, e pelos doentes profundos ou nascidos com grandes e arrepiantes deformações físicas a quem, por compaixão, se dá o golpe de misericórdia.

No caso do aborto, a teoria da “hominização” decidiu que a criança dentro da barriga da mãe não era ainda vida humana antes das oito semanas (seria um queijo, imagino eu!), depois passou para as 12 e presentemente estamos, creio, nas 16 semanas; agora com a eutanásia, suspeito que muito em breve surgirão teorias justificativas e “humanizantes” para ir alargando o conceito de “morte assistida”, que mais não seja com o argumento de que já não é bem pessoa, ou, pelo menos, pessoa com vida digna de ser chamada humana. Será até uma questão de “humanidade e amor ao próximo”, li eu com estes olhos que a terra há de comer, em jornal supostamente sério. No aborto porque ainda não, na eutanásia porque já não.

E lá vamos cantando e rindo a caminho da libertação de preconceitos retrógrados em que a vida é tida por sagrada e inviolável e, como tal, não posso atentar contra ela, mesmo que seja a minha, simplesmente porque não sou seu dono. Coisa de religião, dizem alguns. Que assim seja ou não seja, parece-me coisa de pouca monta neste momento. Penso mais nas suas consequências. Basta lembrar como em pleno século XX, nesta dita civilização ocidental, em nome da “pureza da raça”, nasceram os crematórios nazis e como em nome de uma “sociedade sem classes” se criaram os gulags com as suas intermináveis barbaridades. Temo que, em nome de um “paraíso” na terra, se esteja lentamente a criar um “inferno” algures.

Valha-nos, ao menos, o Deus da Misericórdia, porque da racionalidade humana, quando não pautada por princípios, pouco há a esperar. Desconfio mesmo que ela própria seja objeto de “eutanásia”, se é que não o foi já. Por mim já me contentava com um pouco de bom senso.

A. da Costa Siva, s.j.

 

"A CARNE DE CRISTO"

 

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Tenho ouvido desabafos de muita gente, levada a mudança de vida e de critérios, de gestos e de palavras, tocada pelas palavras do Papa na Mensagem para esta Quaresma, quando nos afirma que «no pobre, encontramos a carne de Cristo». No pobre, no doente, no chagado, no esfomeado, no que tem sede, no que vive só e abandonado, no que sofre violência, cadeia, maus-tratos, no refugiado que foge da guerra e da fome…

 

É a «carne de Cristo» que descobrimos pela graça da fé, em cada pessoa, sobretudo nos membros sofredores da humanidade. Descobri-Lo no santo, no bem vestido, no bem comportado, no elegante, no que tem saúde parece-nos mais fácil, mas a «carne do Senhor» está nos mais doentes, desprotegidos, nos presos e criminosos, nos que não têm casa, pão, amor, fé. É nessa multidão imensa que vive a fome, a guerra, a violência, a droga, o crime, a tortura, a prisão, que devemos encontrar mais a «carne de Cristo». Que descoberta maravilhosa coloca o Papa Francisco diante de nós. Como o mundo seria outro se todos tivéssemos esta visão tão cristã, tão verdadeira, tão sábia.

 

Descobrir a «carne de Cristo» em cada um dos que sofre é também perceber que a paixão de Cristo continua viva, partilhada por milhões de pessoas que precisam do nosso amor, da nossa partilha, da vivência ativa e audaz das obras de misericórdia, para aliviar Jesus que tem fome e sede, que está nu, doente, preso, para consolar a Jesus na pessoas de tantos que sofrem a calúnia, o desprezo, a injustiça, o roubo, a violência, que são vítimas da fraude, da injúria, que se deixam tentar pelo vício do álcool, da droga, da luxúria, da pornografia, etc.

 

Um mundo em pecado, um mundo em que o mal, com seus muitos tentáculos, causa tanto sofrimento e pecado, um mundo em que muitos são destruídos pelo ódio, pela vingança, pelo crime. Um mundo onde a «carne de Cristo» sofre na criança explorada de muitas formas, nas vítimas da pedofilia, nas pessoas vendidas e vítimas de tráfico para serem exploradas em trabalhos forçados, em exploração sexual. A família humana está doente, o mundo está doente, a Igreja sofre de muitas doenças, apesar de ser a «esposa santa de Jesus». Jesus sofre em milhões de pessoas, a sua «carne» está ferida, chagada, maltratada, violentada, explorada.

 

A caminhada quaresmal faz-nos também abrir os olhos da alma e do coração para contemplar o Ressuscitado e alegrarmo-nos n’Ele. Com a Páscoa, renasce a esperança. Com a Páscoa, não só cantamos os aleluias, mas vivemos a alegria de Jesus Ressuscitado. Com a Páscoa, como os discípulos de Emaús, descobrimos Jesus em cada pessoa, em cada um que vive connosco, que trabalha connosco, que passa ao nosso lado, que connosco dialoga. Com a Páscoa, seremos criaturas novas, renovadas pela vida de Jesus e pela ação do Espírito. Daí que a esperança nunca morre, não pode morrer. Seria a tragédia máxima.

 

O mal, o mundo doente, o demónio não nos assustam, pois a força e a vida do Ressuscitado é vencedora de tudo e de todos, do pecado e da morte. Temos que impregnar o mundo à nossa volta desta certeza, desta esperança, desta contínua alegria. Vamos descobrindo momentos de ressurreição, cantos de alegria pascal, saboreando a presença do Ressuscitado mesmo no meio da dor, da doença, da morte, das múltiplas situações difíceis. E Ele nos vai gritando, ou segredando no mais íntimo do coração: «Sou Eu, não temais». Ele, o Senhor da vida, do amor, da festa, da misericórdia, da divina alegria, será em nós a vida da nossa vida. Com Ele e n’Ele, poderemos ser contínua semente de esperança, contínua semente a florir, contínuo sorriso que alegra e consola. Não podemos desistir nunca.

 

Por causa do amor e da vida de Cristo, da sua «carne que sofre em cada doente», temos obrigação de ser portadores da alegre esperança, da vida do Ressuscitado, semente de um mundo novo, mais fraterno, mais pacífico, mais justo, mais irmão. E cada obra de misericórdia vivida com intensidade leva Jesus ao coração de milhões de irmãos e irmãs. Que bem imenso. Que graça maravilhosa. Que surpresa do divino a atuar sem cessar, como em oceano infinito de amor.

 

Dário Pedroso, sj