urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracaoBlogue do Apostolado da OraçãoApostolado da OraçãoLiveJournal / SAPO BlogsApostolado da Oração2017-11-29T09:00:00Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:389242017-11-29T09:00:00O desnorte de uma sociedade2017-11-28T18:07:36Z2017-11-28T18:07:36Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="bich-ngoc-le-229371.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B34019726/20762391_38qFl.jpeg" alt="bich-ngoc-le-229371.jpg" width="500" height="334" /></p>
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<p>O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida viabilizou, estes dias, o pedido de uma família no sentido de um embrião gerado “in vitro” ser implantado no útero da avó, dado que a mãe teve de retirar o útero por motivos clínicos. A decisão confirma um parecer da Ordem dos Médicos, emitido alguns dias antes. Esta é a primeira vez que, em Portugal, é aprovada uma gestação de substituição.</p>
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<p>A decisão é polémica? Ou o tema que ela envolve é que é polémico? É possível pensar em tolerar uma situação de gestação de substituição quando ela é gratuita (como é o caso)? Ou essa é uma hipótese que nem se deve colocar?</p>
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<p>O que leva alguém a querer ser mãe biológica se não tem um útero que permita gerar um filho? O que leva alguém a aceitar ser pai biológico se a esposa não tem útero e se o embrião tem de ser implantado noutra pessoa? O que leva alguém a aceitar gerar um novo ser, que devia apenas ser seu neto e acaba por ser neto e “meio filho” ao mesmo tempo?</p>
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<p>Sim, porque mãe não é apenas aquela cujo óvulo, juntamente com o esperma, dá origem a um bebé. Mãe é também aquela que gera o filho no seu seio, cujos cuidados durante a gravidez são fundamentais para o desenvolvimento do feto. É aquela que sente o corpo modificar-se à medida que a gravidez avança, aquela que não fica indiferente quando sente um pontapé na barriga ou um movimento mais brusco do feto.</p>
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<p>Não é possível separar gestação e maternidade. Não é o corte do cordão umbilical que marca a passagem de uma para a outra. A maternidade começa efetivamente na gestação da criança e envolve uma série de vivências e sentimentos que acompanham a gravidez, o nascimento e o crescimento do bebé.</p>
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<p>A decisão agora viabilizada (e outras semelhantes que venham a surgir) não será uma questão de egoísmo, baseada no suposto interesse daqueles que querem ser pais, mas efetivamente não têm condições biológicas para tal? Ela tem em conta o interesse da criança que vai ser gerada? E se alguma coisa não correr bem durante a gravidez? Como se explica depois à criança que ela foi gerada na barriga da avó, que é também qualquer coisa como “meia mãe”?... No mínimo é algo estranho!</p>
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<p>Esta decisão do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida é tão só o espelho de uma sociedade que vai deixando morrer valores e princípios que respeitam o ser humano, desde a sua conceção até à morte natural. Uma sociedade que se vai desmoronando e parece caminhar sem rumo, à mercê da vontade de uns quantos políticos que vão aprovando legislação em defesa de uma suposta liberdade de todos. É, afinal, uma decisão que mostra o desnorte da sociedade em que vivemos.</p>
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<p>Perante este cenário que se vai desenhando, que lugar queremos ocupar neste tipo de sociedade? Pactuamos, através do silêncio, da omissão e da indiferença, com esta falta de rumo? Ou procuramos ter uma postura ativa e ser uma voz que denuncia situações como esta?</p>
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<p>Sendo fiéis aos princípios em que acreditam, os cristãos devem marcar a diferença e usar os meios que estiverem ao seu alcance para mostrar o descontentamento que sentem relativamente a realidades como a gestação de substituição. Cada um saberá o caminho que pode e deve traçar.</p>
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<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><em>Cláudia Pereira</em></p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:387282017-11-22T11:14:00Na derrota do Estado Islâmico2017-11-22T15:00:03Z2017-11-22T15:05:53Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="1384363_10151654619617093_1912744142_n.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba204f352/20752751_DANHC.jpeg" alt="1384363_10151654619617093_1912744142_n.jpg" width="640" height="480" /></p>
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<p>A Síria e o Iraque viveram anos trágicos às mãos dos vários <em>jihadismos</em> em confronto na região e também às mãos de governos ditatoriais ou corruptos e sectários. Nos últimos meses, porém, começou a ser evidente que o Estado Islâmico – o bando <em>jihadista</em> mais notório e bem sucedido nas últimas décadas – estava a caminho do fim, enquanto poder de facto, no terreno. A tal ponto que, nos últimos dias, os governos da Síria e do Iraque puderam proclamar vitória na luta contra o Estado Islâmico – e o Irão veio reivindicar a parte de leão nessa vitória; com alguma razão, diga-se de passagem, pois se alguém tirou vantagem das mudanças cataclísmicas ocorridas no Médio Oriente foi, além da Rússia, a potência persa.</p>
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<p>No terreno, entretanto, as populações deslocadas pela guerra estão, em muitos casos, a ser silenciosamente substituídas por outras: na Síria, as milícias shiitas – financiadas pelo Irão e vindas do Iraque, do Irão, do Afeganistão – ocupam territórios outrora de maioria sunita e por lá irão ficar, com armas e bagagens; no Iraque, por seu lado, os cristãos, uma das minorias que mais sofreu com a guerra, encontram imensos obstáculos quando tentam regressar às aldeias e vilas de onde o Estado Islâmico os forçou a fugir.</p>
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<p>É de prever que muitas das comunidades cristãs desenraizadas pela guerra – parte delas mais antigas do que as mais antigas existentes na Europa – nunca mais se consigam recompor nem recuperar as aldeias e vilas onde viveram até 2014. Assim está a acontecer na planície de Nínive, uma das poucas regiões do Iraque onde, antes da chegada do Estado Islâmico, ainda se mantinha uma presença significativa de comunidades cristãs.</p>
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<p>Quase invisíveis e praticamente ignorados durante a guerra, os cristãos do Iraque e da Síria ficarão ainda mais ignorados e invisíveis agora que se anuncia a «paz». E, assim invisíveis, poderão extinguir-se «em paz», enquanto no Ocidente nos entretemos a dar caça à islamofobia e a outras fobias mais imaginárias do que reais, mas muito do agrado da intelectualidade reinante.</p>
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<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><em>Elias Couto</em></p>
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<p style="text-align: left;">“São ricos e têm sucesso, mas sentem-se sós”, leio em cabeçalho de notícia. Fico a pensar em memórias recolhidas e ouvidas ao longo da vida. A pensar naquela pessoa amiga que tinha tudo, só não tinha saúde para desfrutar daquilo tudo; a pensar no desabafo daquele recém-formado estudante universitário, filho único de pais muito ricos (no caso um industrial), mas com vazio e solidão interiores: “Olhe, padre, tenho fortuna que chegue para a minha vida, mesmo sem 'fazer puto' (expressão sua), e ainda sobra para os meus filhos e netos, se os vier a ter”. Fico a pensar naquela resposta do Presidente Kennedy a quem lhe pediu opinião sobre a juventude americana do seu tempo: “Tem tudo. Só lhe falta uma coisa, mas infelizmente ‘essa coisa’ é a única importante e necessária”.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Estou a escrever estas notas em terras alentejanas, onde as lonjuras se perdem mergulhadas no silêncio e muitas vezes na solidão. Mas a frase foi pronunciada em Lisboa na recente “Web Summit” (“Uma espécie de feira de gente com ideias com gente com dinheiro”, escreveu alguém), e em entrevista naquele mundo das altas tecnologias e das inteligências artificiais a que chamam pomposamente “Startups”. Outras solidões, portanto, que não necessariamente a alentejana. E foi pronunciada por uma das altas figuras do conhecimento, da inovação e da criatividade que foram passando pelos palcos do “Altice Arena”.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Estamos de facto no mundo dos ricos e do sucesso mas que, por si, não resolvem necessariamente os problemas da solidão humana. Estamos no terreno dos algoritmos, terreno tão distante das operações simples do “somar e diminuir”, do “multiplicar e dividir” onde vive o homem comum, o homem “de carne e osso” na expressão querida de Unamuno. Aqui soma-se e diminui-se, multiplica-se e divide-se; aqui os que têm “mais” ainda vão dando aos que têm “menos” e os que sabem multiplicar ainda vão dividindo (partilhando) com os desafortunados da sorte. Aqui ainda se “divide” a herança recebida dos pais com a expressão “fazer as partilhas”; aqui ainda se diz “Divide lá isso comigo” e “Vamos dividir isto por todos”. Aqui ainda se fala dos “nossos semelhantes” com possibilidade de sermos todos irmãos e filhos do mesmo Pai. Se quisermos, claro. Ou formos capazes, evidentemente.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">O Adão do livro do Génesis também tinha tudo mas estava só. Faltava-lhe alguém “semelhante a ele” para poder exclamar: “Esta é verdadeiramente osso dos meus ossos e carne da minha carne”. Faltava-lhe Eva para não continuar “só” no meio de tanta coisa e de tantas aves e tantos animais à sua volta; faltava-lhe companhia para poder “crescer” realizando-se como pessoa e para poder “multiplicar-se” construindo a sua história com novas histórias; faltava-lhe companhia para poder guardar e proteger aquele jardim que o Senhor viu ser bom e belo e lhes entregou para que o tratassem e cuidassem bem em benefício de todos. Afinal, faltava-lhe alguém com quem pudesse somar e diminuir, multiplicar e dividir. Faltava alguém “semelhante a ele” para, com esse alguém, poder ser “a imagem e semelhança de Deus” que é Amor. Tinha aparentemente tudo, só não tinha ninguém para amar e ser amado.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">“Senhor, dai pão aos que têm fome e fome aos que têm pão” era a oração que o P. Américo gostava de fazer com os seus rapazes da rua. Oração que neste momento faço minha pelos ricos deste mundo (ricos por fora, mas com muito vazio por dentro), já que para os pobres, (“os pequeninos” do Evangelho) apenas peço, com a oração do Pai-Nosso, “o pão de cada dia”. Nem “mais”, nem “menos”. Chega e sobra.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><em>A. da Costa Silva, sj</em></p>
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<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Num mundo que parece cada vez mais agitado, barulhento, em stress desgastante, com muito barulho dentro e fora de nós, parece necessário cultivar mais o silêncio, a paz interior, encontrarmo-nos a nós mesmos e encontrar Deus fonte da paz e da serenidade.</p>
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<p style="text-align: left;">Este apelo chegou a mim, de um modo muito veemente com o livro “Deserto na cidade”. O autor propõe-nos fazer deserto dentro de nós para nos encontrarmos com Deus, o Deus que fala no silêncio. O deserto não é um lugar, mas um estado interior que quer comunhão e intimidade com Deus, com a fonte da paz e da felicidade, da alegria e da graça. Fazer deserto dentro quando à nossa volta há barulho na vida, no trabalho, na cidade, no metro, etc. Aprender a arte do silêncio interior, de um recolhimento que nos dá paz e serenidade, que nos abre ao diálogo, que nos deixa escutar Deus, ouvir os murmúrios do Espírito, a voz do deserto, a paz que nos segreda e nos faz entrar nos mistérios do amor de Deus uno e trino. E neste silêncio até a oração se vai transformando, cada vez com menos palavras, menos pensamentos, mais escuta e comunhão. Deserto na cidade, na vida quotidiana, em casa, na rua, nas compras, no trabalho. No meio do reboliço e da multidão, recolher-se dentro do coração onde Deus está, como num sacrário. E aí entrar em comunhão permanente, mesmo sem palavras.</p>
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<p style="text-align: left;">Tive a graça de encontrar agora outro livro, que me foi oferecido por uma pessoa amiga, da autoria do Cardeal Robert Sarah, que tem por título “A força do silêncio”. Páginas maravilhosas que nos convidam, neste mundo agitado e atribulado, a fazer uma cela no coração e estar com Deus. E esse silêncio não é egoísmo, é necessidade imperiosa para se conseguir equilíbrio, serenidade, fecundidade apostólica, força interior capaz de vencer dificuldades, tentações, nervosismos, stress.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Com a leitura dessas preciosas páginas, entendemos melhor porque Jesus ia para o monte para estar com o Pai e rezar, ia para o deserto para Se encontrar a Si mesmo e mergulhar no oceano infinito do amor do Pai. Percebemos melhor que sem silêncio interior diz-se orações mas não se faz oração verdadeira que leve à comunhão com o Amado, que nos mergulhe na intimidade do amor trinitário, que nos faça contemplativos na ação, na vida. Não no silêncio do convento, do mosteiro, dos claustros, mas no interior de nós mesmos, onde encontramos Deus e o seu amor, onde descobrimos que somos um sacrário divino da sua presença, onde podemos crescer na intimidade com Jesus e com a Trindade.</p>
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<p style="text-align: left;">Uma dona de casa, que nas suas lides domésticas descobre a riqueza e a força deste silêncio, pode ser contemplativa e fazer do dia uma contínua comunhão com o Senhor, várias horas santas na intimidade com Jesus, enquanto passa a ferro, faz as refeições, etc. Um lavrador, em contacto com a natureza, em cima do seu trator ou de enxada na mão, pode ser contemplativo se descobre Deus no seu coração e na natureza que o rodeia e está sempre no esforço amigo de maior comunhão. E assim por diante: o estudante, o médico, o empregado da fábrica, etc. Todos os cristãos que descobrem o valor do silêncio e os seus frutos, a “sua força”, não querem outra coisa, não pensam em viver de outro modo, não desejam mais nada. Estar com o Amado, no silêncio recolhido do coração, fazendo deserto na cidade.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">E parece que a vida se torna mais serena, mais feliz, mais alegre, mais pacífica, mais fecunda em dom e em graça, sobretudo na ação apostólica. E o Espírito que está no coração de cada um e de cada uma, nos ajudará a descobrir a graça do deserto interior, a graça do silêncio fecundo, pois no encontro mais permanente com Deus somos mais fortes, mais evangélicos, mais cheios da graça que é dom que nos transforma.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">O Espírito, através dessa experiência do “deserto na cidade”, com a “força do silêncio”, nos fará perceber que o mundo é presença do Deus Criador, é lugar sagrado, é lugar contínuo de comunhão com o amor do Pai. E tudo, mesmo o ruído e o barulho, nos pode levar até Ele.</p>
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<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><em>Dário Pedroso, sj</em></p>
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<p></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:380822017-10-31T18:01:00Profissionais da esperança2017-10-31T15:05:53Z2017-10-31T18:00:06Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="cherry-laithang-312590.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bed01c50e/20715254_D8wh5.jpeg" alt="cherry-laithang-312590.jpg" width="500" height="331" /> </p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p class="sapomedia images">Há presentes que todos podemos oferecer, por mais escassos que sejam os nossos recursos. Um tesouro, que não só podemos mas devemos sempre oferecer, é a esperança.</p>
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<p>É certo que esperar é dos verbos de mais difícil conjugação, sobretudo quando acontece qualquer desgraça, como a dos recentes incêndios. Que fazer perante o cenário desolador de vidas e casas destruídas, da terra ensanguentada e queimada, como se o inferno do outro mundo tivesse imigrado para as nossas florestas e povoações? As lamentações nunca deram vida a coisa alguma, nem sararam feridas, nem construíram casas.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: left;">Como os amigos, a esperança é para as ocasiões. Para as noites escuras e os nevoeiros interiores, para as calamidades naturais e até sobrenaturais, para os reveses e insucessos, para os males sem remédio e os problemas angustiantes. Neste tipo de situações, precisamos de gritar, alto e bom som, a nós mesmos e aos outros: <em>Vale sempre a pena esperar! Quem espera sempre alcança! Esperar contra toda a desesperança faz milagres!</em></p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">A virtude da esperança é um tesouro caro. É preciso lutar para o alcançar. A esperança não é «a virtude dos fracos», como a desfigurou Nietzsche. Assim nos recordava o Papa Francisco: «A verdadeira esperança nunca custa pouco: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre talvez nem sequer o seja. Não agrada a Deus ser amado como se amaria um comandante que arrasta o seu povo para a vitória aniquilando no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma luz débil que arde num dia de frio e de vento» (2017.05.24).</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Que belo retrato nos faz Francisco da omnipotência de Deus, que é o poder do amor e não da força, que se solidariza com a nossa pequenez, para nos tornar grandes por dentro. Nesta linha, assim se refere à esperança Charles Péguy num seu poema: «A fé que mais amo, diz Deus, é a esperança… A esperança, diz Deus, essa sim causa-me espanto… Essa pequena esperança que parece não ser nada. Essa esperança menina… Só ela, guiando as outras, atravessará os mundos revoltos».</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Todos deveremos especializar-nos em exercitar e oferecer esperança. A esperança é alavanca de um mundo melhor e de uma Igreja mais santa. É guindaste para levantar desilusões e pessimismos. É rampa de lançamento de projetos de solidariedade fraterna. É íman que nos atrai para construir o presente e preparar o futuro.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY">A nossa esperança não é de quem compra um bilhete de lotaria ou arrisca num jogo de azar. Não é a esperança de quem investe na bolsa ou faz prognósticos para um jogo de futebol. Tudo isso é tão falível. É uma esperança inabalável, porque assenta na fidelidade de Deus, como diz S. Paulo: é uma «esperança que não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY">A história da desesperança dos discípulos de Emaús, depois da morte de Cristo, é paradigmática. Deles, como nos refere o Papa Francisco, «sai uma confissão que é um refrão da existência humana: “Nós esperávamos..., mas...”. Quantas tristezas, quantas derrotas, quantos fracassos existem da vida de cada pessoa. No fundo somos todos um pouco como aqueles dois discípulos. Quantas vezes na vida esperámos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade e depois ficámos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas desencorajadas que seguem por diante de cabeça baixa. E Jesus caminhando com elas, de maneira discreta, consegue voltar a dar esperança». Importa nunca desistir de esperar e de oferecer esperança.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY">O mundo à nossa volta será melhor se tu e eu formos profissionais da esperança.</p>
<p lang="pt-PT" style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" align="JUSTIFY"> </p>
<p lang="pt-PT" align="JUSTIFY"><em>Manuel Morujão, sj</em></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:378592017-10-25T09:00:00Da Paciência2017-10-24T14:51:12Z2017-10-24T14:51:12Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="White_on_White_Malevich_1918.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3107f6d7/20703697_E6zrI.png" alt="White_on_White_Malevich_1918.png" width="500" height="500" /></p>
<p> </p>
<p>«Digo-vos, pois:</p>
<p>pedi e ser-vos-á dado;</p>
<p>procurai e achareis;</p>
<p>batei e abrir-se-vos-á;</p>
<p>porque todo aquele que pede, recebe;</p>
<p>quem procura, encontra,</p>
<p>e ao que bate, abrir-se-á.» (<em>Lc</em> 11, 9-10)</p>
<p> </p>
<p>Será a paciência a virtude que nos torna humanos? Será este o alimento mais indicado para a nossa vida, caracterizada por um longo e quotidiano caminhar? E será esta a mais nobre e necessária arte para a construção de uma casa, das relações, de um destino?</p>
<p> </p>
<p>Um filósofo italiano, Giorgio Agamben, disse que «a arte de viver é a capacidade de nos mantermos numa relação harmoniosa com aquilo que nos escapa». Muita da nossa vida tece-se de provas que não escolhemos, de tempos que não definimos, de etapas e passagens cujas fronteiras não controlamos. A paciência associa-se frequentemente à dificuldade e até à desilusão. Mas não será a paciência uma arte positiva, destinada a construir e não apenas a suportar, a criar o novo e não somente a aceitar o presente?</p>
<p> </p>
<p>Pedir, procurar e bater são movimentos que contêm em si a graça e a exigência da paciência. Pode ser que a paciência advenha da própria oração, e nos ensine a acolher os dons e bênçãos de cada dia, cuja seiva é bem mais fecunda do que todas as nossas projeções.</p>
<p> </p>
<p>Precisaríamos, assim, de pedir a atenção, de procurar o discernimento, de bater à porta dos sinais. E o mistério de Deus poderia residir também aí, quando se abrem e alargam os limites estreitos da nossa visão e do nosso desejo.</p>
<p> </p>
<p><em>Texto: Rui Vasconcelos</em></p>
<p><em>Imagem: Kazimir Malevich, 'White on White', 1918.</em></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:374942017-10-18T09:00:00Coisas que a minha avó me ensinou2017-10-17T16:04:43Z2017-10-18T15:24:27Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="MaxPixel.freegreatpicture.com-Education-Cooking-Ba" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B44010599/20692957_fHGZn.jpeg" alt="MaxPixel.freegreatpicture.com-Education-Cooking-Ba" width="334" height="500" /></p>
<p> </p>
<p>Há um ano, acompanhei o corpo da minha avó até ao cemitério. Estava um dia quente, invulgar para outubro, se pensarmos nos típicos outonos que vivíamos há dez anos. Nunca mais me vou esquecer desse dia. Foi uma perda gigante, um golpe duro na unidade da família.</p>
<p> </p>
<p>Sempre vi os meus avós juntos, raras eram as situações em que se separavam fisicamente um do outro. Essa constância foi sempre uma garantia, uma espécie de fio condutor num trajeto familiar com os seus naturais altos e baixos.</p>
<p> </p>
<p>Assustou-me a rapidez com que ela partiu. Vi na cara do meu avô que também ele ficou espantado (atrevo-me a dizer que até ficou um pouco zangado). Como foi possível ela ter morrido assim, de uma hora para a outra?</p>
<p> </p>
<p>O choque trouxe a tristeza e a tristeza um silêncio vazio. Mas nesse silêncio, recordei a voz da minha avó, o seu olhar, a sua mão pesada e treinada, que me mostrava como elevar a massa do pão de ló da cor da gema, amarela e húmida, até à cor da casca de ovo, branca e seca. Reparei nas expressões que passei a usar, frases que me vinham à cabeça ditas por ela, gestos e posturas. Como se o meu corpo não se quisesse esquecer, como se o meu cérebro se agarrasse a tudo o que lhe dizia respeito para a colocar no meu pensamento.</p>
<p> </p>
<p>Penso que compreendi porquê. Hoje, temo mais pela vida do meu avô, penso mais nele, preocupo-me mais em estar com ele, tal como todos os seus filhos e netos. Neste fervilhar em volta do meu avô, envolvidos no seu cuidado, vi a vida dela consagrada em nós, seus descendentes. Vi-nos cumprir o nosso propósito, tal como a minha avó fez toda a vida: cuidar dos mais frágeis e dos mais velhos.</p>
<p> </p>
<p>"Cuidar dos mais frágeis e dos mais velhos" aplica-se não só às pessoas idosas, mas também à calamidade que se abateu sobre a floresta portuguesa, descuidada pelas leis, maltratada pelos seus cuidadores. Não nos podemos esquecer que a nossa passagem na Terra é curta e que devemos criar condições para que as gerações futuras vivam num planeta saudável. Sem árvores, sem animais, sem recursos naturais, não seremos mais Portugal, seremos um amontoado de cinzas à beira-mar, como se fôssemos uma nação em guerra civil, a matar os mais frágeis e indefesos. Paremos para sentir a dor da perda, mas não esqueçamos o nosso dever de cuidar do meio ambiente.</p>
<p> </p>
<p><em>Maria Betânia Ribeiro</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:371412017-10-11T09:00:00Rancor, vingança e telenovelas2017-10-11T12:07:21Z2017-10-11T12:07:48Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="pexels-photo-568027.jpeg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B92029b2c/20682187_PcZDz.jpeg" alt="pexels-photo-568027.jpeg" width="500" height="334" /></p>
<p> </p>
<p>O rancor é uma aversão funda a alguém, muitas vezes motivada pela dor que essa pessoa nos causou por querer ou mesmo sem querer. Depois essa dor cresce dentro de nós, é alimentada por nós e esse sentimento transforma-se em rancor, um sentimento que nos corrói.</p>
<p> </p>
<p>Há pessoas que nos magoam de propósito. Provocam-nos uma ferida e nós ficamos a pensar naquilo sem termos desejo de nos libertamos daquele pensamento. E é essa ausência de desejo de nos libertarmos do pensamento que nos magoa que nos provoca o rancor. Ficamos agarrados ao pensamento que nos magoa; não fazemos nada para nos libertarmos dele e a dor vai-se adentrando, vai começando a roer lá dentro, vai-nos causando uma má disposição que emerge de tempos a tempos. Devemos distinguir esta situação daquela em que uma ferida é impedida de fechar devido à dor infligida permanentemente. É uma situação diferente cuja explanação não é para aqui.</p>
<p> </p>
<p>E há pessoas que nos magoam sem querer. Há pessoas cujo bem-estar, cuja riqueza – ou qualquer outra coisa – nos magoa e se essa dor é alimentada por nós transforma-se em rancor. Há pessoas que vivem permanentemente feridas com o bem-estar alheio. Às vezes dentro da própria família. Uma vez ouvi uma pessoa dizer que quando vê um carro de luxo se lembra sempre de traficantes de droga. É a inveja disfarçada. É o rancor a sair cá para fora. A condição da dor se transformar em rancor é a pessoa sentir-se bem com essa dor. O rancor tem alguma coisa de masoquismo. A pessoa quer continuar a pensar na causa daquela dor. E assim o rancor vai-se transformando em azedume, vai tirando paz e mansidão ao coração, vai semeando a cizânia.</p>
<p> </p>
<p>O rancor evita-se com alegria no coração. Uma pessoa alegre é menos propensa ao rancor. E à alegria no coração chega-se com a realização consigo próprio. Uma pessoa insatisfeita é muito mais propensa ao rancor. Uma coisa é nós sentirmos falta disto ou daquilo – até de certas qualidades – outra coisa é vivermos amargurados com isso. Devemos concentrar-nos numa vida realizada, numa vida feliz, numa vida cheia.</p>
<p> </p>
<p>Mas para o cristão uma vida não é cheia sem Deus. Nós não afastamos o rancor com um truque psicológico. Afastamos o rancor com a oração, afastamos o rancor com a identificação com Deus, afastamos o rancor amando. Temos de pedir a Deus que nos transmita o seu amor e amar aquele que nos fere rezando por ele, em vez de mantermos a ferida aberta.</p>
<p> </p>
<p><em>Gonçalo Miller Guerra, sj</em></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:369142017-10-04T09:00:00A “correção filial” a Francisco: o que se passa na Igreja?2017-10-02T14:40:45Z2017-10-02T14:40:45Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="cq5dam.web.800.800-3.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bea16bd06/20668488_FWCog.jpeg" alt="cq5dam.web.800.800-3.jpg" width="500" height="332" /></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p style="text-align: left;">Não é novidade na história da Igreja que o magistério dos Papas seja contestado por grupos de cristãos ou de teólogos. Para não ir mais atrás, vemos que os pontificados de Bento XVI e João Paulo II tiveram também os seus críticos. E não há problemas de maior em relação a isso, é um facto que testemunha a diversidade e a riqueza dentro da Igreja, quando estes assuntos não tocam o fundamental das verdades da fé. E que é, digamos de início, o caso presente. Não está em questão uma verdade de fé, mas sim uma proposta de discernimento pastoral. Mas, no caso desta “correção filial” por parte de um grupo de teólogos feita ao Papa Francisco a propósito da sua Exortação Apostólica “A Alegria do Amor”, o tema tem levantado mais alarido, por uma questão muito séria: é uma correção de heresias que se propagam e que foram produzidas pela mesma Exortação. Falar de “heresia” num contexto destes põe-nos em alerta, pois é exagerado. “Alegria do Amor” não é um documento dogmático, importa não confundir as coisas. E isso leva-nos então a perguntar: o que se está a passar?</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Num esclarecedor <span style="color: #0563c1;"><span lang="zxx"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://diocese-braga.pt/noticia/1/16247" rel="noopener">artigo</a></span></span></span> publicado há dias pelo Professor João Duque, no site da Arquidiocese de Braga, afirma-se que a questão de fundo aqui presente é a convivência de paradigmas teológicos muito diferentes e que é importante não colocar a questão a partir de divisões simplistas entre “conservadores” e “progressistas” ou quem gosta mais ou gosta menos do Papa Francisco. A questão não são simpatias pessoais ou as várias formas legítimas de estar na Igreja, com maior ou menor confronto. A questão aqui, a meu ver, é o modo como o magistério da Igreja se tem vindo a propor aos cristãos na sua vida concreta e a difícil desacomodação que isso tem trazido em vários setores da Igreja.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Aparece aqui a diferença que marca o pontificado de Francisco, numa categoria verdadeiramente essencial para entender as suas posições e propostas, as suas palavras e os seus gestos. Francisco move-se no paradigma da Misericórdia e as consequências práticas que este tem na vida da Igreja e do mundo. Um dos aspetos que decorre deste paradigma é o apelo ao discernimento das situações concretas. E é aqui, a meu ver, que entra a divisão: o verdadeiro discernimento não acontece quando tudo é preto ou branco, mas sim quando se assume a vida como uma multiplicidade de tons muito diferentes. Naturalmente, isto causa desconforto e algum desconcerto: “Quais são os critérios? Até onde se pode ir? Como se protege o essencial da norma?”. São questões que fazem todo o sentido e é obrigatório e honesto colocar... mas têm de se colocar! Mais fácil é tomar a posição fechada de “nisto não se pode tocar e ponto final”, fechando-se à partida ao exercício de colocar questões e, mais difícil ainda, experimentá-las no seu drama único e fascinante: a vida humana.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Não estará a ser pedida à Igreja, desde os principais representantes do magistério, até aos simples fiéis, uma abertura de espírito e de coração àquilo que, no fim de contas, é a única missão da Igreja: ser “<span lang="pt-BR">sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano”? (LG 1)</span> E que este sinal é sinal de reconciliação, de perdão, de vida, de autenticidade e coerência com Cristo e o seu Evangelho? O discurso da Misericórdia e as suas inquietações sempre causaram perturbação, é a história de Cristo e a dos grandes santos.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;">Acolhamos com generosidade o momento presente. Não tenhamos medo da misericórdia. E demos contínuas graças a Deus pelo dom da novidade que Francisco tem trazido à Igreja, rezando por ele e pela sua missão de Pastor universal.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"></p>
<p align="JUSTIFY"><em>António Valério, sj</em></p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:366142017-09-27T10:30:00Votar, uma forma de educar2017-09-27T09:41:45Z2017-09-27T09:41:45Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="arnaud-jaegers-253360.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be71668be/20660090_7ODOC.jpeg" alt="arnaud-jaegers-253360.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p style="text-align: left;">Nas últimas semanas, as aldeias, vilas e cidades portuguesas começaram a ter um colorido diferente. Rostos mais ou menos conhecidos foram aparecendo aqui e ali, no centro das rotundas pelas quais circulamos ou pendurados nos postes que iluminam os nossos trajetos diários. A algumas caixas do correio foram chegando ideias, promessas e balanços de trabalho feito nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Com estratégias que vão oscilando entre o tradicional e o inovador, multiplicam-se contactos personalizados, visitas a locais de trabalho ou contactos diretos com as populações. Todos procuram ouvir os lamentos e auscultar as necessidades da população.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">O cenário repete-se ciclicamente, a cada novo período eleitoral. Já estamos habituados a que seja assim. Com mais ou menos interesse, vamos vendo cartazes, ouvindo ideias e trocando impressões. Comentamos, criticamos, sugerimos. Fazemos “gostos” nas publicações das redes sociais, partilhamos notícias, fotografias e vídeos.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">E quando chega o dia das eleições, que postura adotamos? Assumimos a responsabilidade e vamos exercer o direito de voto? Ficamos indiferentes e até aproveitamos para dar aquele passeio há tanto tempo desejado? Arranjamos compromissos supostamente inadiáveis que acabam por preencher o dia e fugimos a essa responsabilidade?</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Independentemente da opção política de cada um, votar é um dever cívico, que os cidadãos a partir dos 18 anos devem exercer. <span style="color: #000000;">Os cristãos também, pois ser cristão passa, entre outras dimensões, por esta participação ativa na vida da sociedade, por contrariar algum comodismo que parece querer instalar-se, por não deixar</span> que sejam apenas os outros a decidir o rumo, neste caso, das freguesias e dos concelhos. Este domingo, 1 de outubro, temos, enquanto eleitores, uma oportunidade de mostrar que somos cidadãos preocupados com o país, oportunidade essa que não devemos desperdiçar.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Até podemos ser levados a pensar que o nosso voto é uma gota no oceano. Mas, como disse um dia Santa Teresa de Calcutá, sem essa gota “o oceano seria menor”. Se nunca formos exercer o direito – e o dever – de votar, o oceano acabará por secar e o mundo ficará deserto de ideias.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Para quem tem filhos, votar é também uma forma de educação, mostrando que existem situações ao longo da vida que exigem o nosso compromisso e que não devemos fugir das nossas responsabilidades, seja na família, no emprego, na vida em sociedade ou na vida de cristãos. A riqueza de uma sociedade passa por aqui... pelo empenho e dinamismo que os cidadãos vão mostrando.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Uma vez passado o ato eleitoral, a pouco e pouco, e muitas vezes ultrapassando os prazos devidos e estipulados, os cartazes vão sendo retirados das rotundas ou dos postes e as caixas de correio voltam a receber apenas o correio habitual. Os contactos personalizados com os cidadãos vão rareando e as necessidades das pessoas voltam a estar (praticamente) esquecidas... até às proximidades do ato eleitoral seguinte.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">E nós, os cidadãos que votámos, como reagimos? Acomodamo-nos a este esquecimento por parte dos dirigentes políticos? Ou, convencendo-nos que temos de ser mais ativos e exigentes, não ficando limitados ao show off das pré-campanhas e campanhas eleitorais, cumprimos o direito – e o dever – de acompanhar o trabalho daqueles que foram eleitos? Não deixemos, por comodismo, que a nossa sociedade fique mais pobre.</p>
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<p align="JUSTIFY"><em>Claúdia Pereira</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:365892017-09-20T09:00:00D. António Francisco dos Santos2017-09-18T11:22:23Z2017-09-18T13:59:46Z<p class="sapomedia images" style="text-align: left;"><img style="padding: 10px 10px;" title="d. antónio dos santos.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G9804273e/20646110_lZ9gc.jpeg" alt="d. antónio dos santos.jpg" width="978" height="650" /></p>
<p> </p>
<p>Conheci o bispo D. António Francisco dos Santos quando ele era bispo auxiliar na diocese de Braga. A minha colaboração nos Estúdios Regionais de Braga da Rádio Renascença fez-me cruzar algumas vezes com ele. Ficou-me na memória um homem simples, próximo, de sorriso fácil e aberto. Vim a descobrir, também, o homem sábio e bom, que não esquecia nomes e, já bispo de Aveiro, perguntava sempre por mim, nos seus encontros frequentes, por motivos pastorais, com a minha esposa.</p>
<p> </p>
<p>Não éramos amigos, no sentido habitual do termo, pois a nossa convivência não chegou a esse ponto. Éramos conhecidos que se estimavam à distância. Para mim, era também um bispo-pastor, no sentido mais forte do termo, pois nunca estava longe das pessoas a quem servia, na Igreja e na sociedade.</p>
<p> </p>
<p>A notícia da sua morte, apesar da surpresa, não me deixou triste. Deixou-me um misto de saudade – aquele sorriso desarmante que me vai fazer falta, mesmo nas fotografias das agências de notícias ou nas imagens de televisão – e de paz, pois sei, com o conhecimento da fé, que o Senhor da Vida o conserva na sua mão segura.</p>
<p> </p>
<p>Foi bom tê-lo conhecido, D. António! E é muito bom viver na esperança de, no dia para lá de todos os dias, o reencontrar no abraço eterno do Pai.</p>
<p> </p>
<p><em>Texto: Elias Couto</em></p>
<p><em>Fotografia: Diocese do Porto</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:363512017-09-13T09:00:00“Há algo que fala em nós e nos fala”2017-09-12T17:12:19Z2017-09-12T17:12:19Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="aricka-lewis-208112.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2308d3a8/20636422_unwK7.jpeg" alt="aricka-lewis-208112.jpg" width="500" height="332" /></p>
<p> </p>
<p>A frase foi escrita, há relativamente pouco tempo, num jornal de referência, por Eduardo Lourenço. Tropecei nela e nela tenho andado a tropeçar até hoje, dia em que começo estas linhas para “O mundo à nossa volta” do site do AO, mundo este tão cheio de barulhos e ruídos, alguns ensurdecedores, em que muito se fala, berra e vocifera, mas onde raramente as pessoas se ouvem. Se é que se querem ouvir, o que duvido. Ouvir dá muito trabalho porque implica disposição interior para a mudança e abertura ao outro. Por isso é mais fácil falar para “convencer” (só que isso não é comunicar), ou berrar para “vencer” (só que isso é despotismo), ou vociferar palavrões para “denegrir” (só que isso é ofender). Há muito barulho, mas o diálogo é de surdos por mais alto que se fale.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">Talvez o problema resida na incapacidade de nos ouvirmos primeiro no íntimo de nós mesmos. E, talvez, o problema da incapacidade de nos ouvirmos no íntimo de nós mesmos esteja no medo de ouvir esse “algo que fala em nós” (porque nos incomoda) “e nos fala” (porque nos inquieta). Eduardo Lourenço referia-se à dimensão transcendente da vida humana. O homem em particular e a sociedade em geral não sabem o que fazer do transcendente nem com o transcendente porque, como disse, incomoda e inquieta. Por isso, tão pouco sabem o que fazer de Deus e com Deus. E porque na sua negação está simultaneamente implícita a sua afirmação, o melhor é esquecer, fazer de conta ou proceder “como se” não existisse.</span></p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">E lá vamos, sem Deus quando não contra Deus, tentando construir a nossa história coletiva e as nossas histórias pessoais com todas as consequências conhecidas. O resultado está à vista. Basta ler as notícias e ver os telejornais para confirmar o versículo do Salmo que diz: “Se Deus não construir a cidade, em vão labutam os homens por construí-la” (cito de memória).</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">Felizmente que esse “algo que fala em nós e nos fala” continua lá, no mais fundo de nós próprios, a falar (voz) e a falar-nos (mensagem). Voz e mensagem a caminharem connosco ao longo das nossas histórias, como apelos de Deus à verdade que nos liberta e à reconciliação entre os homens, único caminho para a paz e bem-estar de todos e para todos e não só de alguns e para alguns.</span></p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">Não sei se estou a escrever sobre Deus ou sobre o homem. Sei apenas que o homem pode negar Deus por palavras, obras e omissões, mas nunca conseguirá matar definitivamente a sua voz dentro de si, quer queira quer não, quer goste quer não goste. O grande problema no meio de tudo isto é que Deus e o Homem estão condenados a terem de se entender, pela simples razão de que Deus não pode deixar de ser o que é (Criador e Pai) e o Homem (Criatura e Filho) não consegue ser o que não é. Seria, quando muito, uma imagem falseada de si mesmo.</span></p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">Neste “algo que fala em nós e nos fala” reside afinal a janela sempre aberta à esperança de melhores dias. E estes estão ao nosso alcance. Só é preciso abrirmo-nos a essa voz que, neste momento e neste contexto, traduzo na frase evangélica: “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”. A solução para os graves problemas que hoje ameaçam a sociedade, pode bem morar aqui. É na abertura a Deus que nos encontramos a nós próprios e uns com os outros. Mais que de desejos de paz tantas vezes expressos e proclamados solenemente (leia-se: com barulho) nas instâncias internacionais, precisamos, como de pão para a boca, de parar para escutar essa Voz que anda abafada. Acredito que é o caminho que nos pode levar ao abraço da reconciliação e da paz e nos torna irmãos.</span></p>
<p style="text-align: left;"></p>
<p style="text-align: left;" align="RIGHT"> </p>
<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><span style="font-size: medium;"><em>A. da Costa Silva, s.j.</em></span></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:358412017-09-06T09:00:00Ajudem a renascer a Esperança2017-09-04T15:45:37Z2017-09-05T14:10:17Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="22689510096_0680bc0825_o.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bcf115127/20623754_972Aj.jpeg" alt="22689510096_0680bc0825_o.jpg" width="500" height="334" /></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p style="text-align: left;">Continuam as notícias acerca de fogos, catástrofes, terrorismo que mata, crimes, guerra, violências, fraudes, raptos, etc. etc. Enchem os jornais e os telejornais de desgraças que deprimem e angustiam o povo. Há tanta coisa boa no mundo, tanto dom e serviço, tanta maravilha de amor, beleza, atenção e dedicação aos outros, experiências espirituais e lúdicas fabulosas, dignas, sérias, alegres. Parece que não há interesse, atenção, gosto em dar a conhecer essas maravilhas.</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Chega de andarmos deprimidos por tanta desgraça. Ajudem-nos a fazer renascer a esperança no futuro, o entusiasmo pela vida, o gosto de servir e amar. Basta de notícias só de misérias, de desgraças, de atentados à natureza e à vida humana. Precisamos todos que nos ajudem a viver a autoestima, a alegria, o entusiasmo para olhar o futuro com esperança.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">É digno e justo louvar e agradecer o esforço dos muitos bombeiros, de outros agentes, de tantos voluntários generosos e sacrificados. Como é digno e justo rezar pelas vítimas, pelas famílias, pelos que ficaram sem nada. Acompanhar em oração as horas, os dias e noites de “inferno”.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">É urgente condenar os atos de terrorismo e gritar que Deus, que Alá, não quer mortes de ódio, de vingança. É preciso condenar os processos de exploração humana e sexual de tantas mulheres e jovens e gritar que a vida é um dom precioso e digno, que tem de ser respeitado.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Como é de louvar o serviço dedicado de tantos militares da Guarda Nacional Republicana que, no Mediterrâneo, têm salvo centenas de refugiados. Como é encantador ver o serviço dedicado de tantos médicos sem fronteiras e de tantas centenas de voluntários que vão servir pobres e doentes em países onde há muita miséria, fome, doenças.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Tudo isto tem de ser feito e mostrado com moderação. Não deem cabo de nós e das crianças e adolescentes que veem televisão e choram quando veem casas a arder e pessoas a gritar de terror. Poupem-nos. Não precisamos de andar semanas a ver fogos, uns atrás dos outros, com ruína e todo o sofrimento que comportam.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Não só os cristãos, mas todas as pessoas de outras religiões e todos os que sentem “boa vontade”, temos de nos unir para ajudar a renascer a esperança. Olhar o futuro com otimismo, confiados no amor de Deus e na boa vontade dos homens. Fazer renascer a esperança, ser sentinelas da esperança que gritam aos corações que há muito bem à nossa volta, que há muita gente boa, que há muitas possibilidades de crescer na verdade e na justiça.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Precisamos de conhecer exemplos bons de dom e serviço, de construção de paz e concórdia, de sonhos que comandam a vida na direção certa, ou seja, no amor, no gosto de viver, no dom que faz os outros mais felizes. Não desistamos de viver a esperança como experiência interior que pacifica e alegra, que anima e conforta.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Nos meus quarenta e três anos de sacerdócio, tenho encontrado muita gente boa, dedicada, santa, capaz de se doar para fazer os outros mais felizes. Tenho encontrado muitos e muitos sacerdotes exemplares, castos e pobres, obedientes ao seu bispo e à Igreja, homens que não são funcionários do sagrado, mas que vivem uma dedicação a toda a prova, uma doação generosa ao seu povo, à Igreja, a Jesus Cristo.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Mas sempre que há um pequeno escândalo de algum que por fraqueza cometeu algo mau ou menos bom, temos longos discursos malévolos nos telejornais, repetidos vezes sem conta, como insinuações criminosas e difamatórias.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Olhemos o bem, o positivo, o muito que há de bom e de santo, de dedicação e de serviço generoso. Sejamos homens e mulheres de esperança, vivamos a alegria que nos vem da entrega e da doação generosa.</p>
<p> </p>
<p><em>Texto: Dário Pedroso, sj</em></p>
<p><em>Fotografia: CAFOD Photo Library</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:357932017-07-26T09:00:00As férias deviam durar todo o ano2017-07-14T14:30:37Z2017-07-14T14:30:37Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="pedro-gabriel-miziara-184205.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd0073c27/20538815_GwFpc.jpeg" alt="pedro-gabriel-miziara-184205.jpg" width="375" height="500" /></p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images">Ter um bom tempo de férias é exigente. Ora, exigência em tempo de férias parece uma palavra fora do lugar, pois ao longo de todo o ano sentimos que as responsabilidades e tarefas nos “exigem” tempo, energia, uma força de vontade que se vai esgotando, pouco a pouco. Férias, como habitualmente as consideramos, são uma espécie de suspensão do esforço, de não querer nada para além de estar precisamente a fazer isto: nada. Ou fazer aquilo que realmente nos apetece fazer, sem horários e sem imposições. Não estou a dizer que estes momentos de “nada” ou “fazer o que apetece” não são necessários, o problema é quando identificamos, sem mais, o descanso com estas duas coisas.</p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Esta identificação tão comum não traduz o potencial de umas boas férias, e o modo melhor de o ver é pelos seus frutos. Depois de uns dias ou umas semanas de “nada”, mesmo que seja a viajar por todo o lado ou, até que enfim, nos programas prometidos à família e aos amigos, a ler um livro, a ir ao cinema, a ir a um festival, a fazer desporto, a ir à praia ou à montanha, etc... o que acontece? Terminam estes dias e chega a nostalgia – até tristeza se poderia chamar – de voltar ao trabalho. Conclusão: acabamos as férias certamente contentes e agradecidos com o que aconteceu, mas tristes com o que está a chegar. E a tristeza não é um bom fruto. Diferente seria se acabássemos as férias cheios de alegria por regressar ao “tempo comum” que, aliás, é aquilo que mais excelente temos, a nossa vida quotidiana.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">A exigência de umas boas férias é aliar o tempo de descanso, com tudo o que de bom e apetecível implica, com uma arte, esta sim exigente. Procuremos fazer com que o tempo de férias seja algo como desenhar o quadro perfeito da nossa vida, no qual nos podemos rever continuamente. Um quadro pintado com os traços das nossas relações mais queridas e das atividades que engrandecem o coração e o olhar, e com as cores bem definidas de Deus, as quais tantas vezes, ao longo do ano, surgem em tons tão desmaiados. As férias dão-nos tempo de qualidade para as coisas mais importantes, são um espaço de lançamento para a vida real, não um intervalo que depois desaparece e nos faz encarar a vida com cara e coração fechados.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">Agora, que é tão fácil fazer fotografias de todos os momentos, faço-lhe esta sugestão. No final das férias, vividas nesta arte, selecione algumas imagens deste tempo que retratem o melhor da sua vida: Deus, a família, o cultivo do espírito... e mantenha-as em lugar visível. Nos momentos de rotina e cansaço e desânimo, volte à contemplação destes espaços de vida, para neles encontrar o segredo da alegria das coisas simples e gratuitas, que se podem fazer todos os dias. Poderá ser surpreendido ao dar-se conta que, afinal, as férias podem durar todo o ano.</p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY"> </p>
<p style="text-align: left;" align="JUSTIFY">A equipa do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração deseja, assim, a todos, um reconfortante tempo de férias, cheio desta arte de contemplar a vida, com os seus frutos de alegria para o início do novo ano de trabalho.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p></p>
<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><em>António Valério, sj</em></p>
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<p></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:354272017-07-19T09:00:00E Deus fez-Se vulnerável – A LOUCURA DO AMOR2017-07-07T14:30:22Z2017-07-07T14:30:22Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="cruz cópia.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f02423a/20526566_tZBuH.jpeg" alt="cruz cópia.jpg" width="366" height="500" /></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p class="p1"><em>Tendo Jesus chegado a casa, de novo a multidão acorreu, de tal maneira que nem podiam comer. E quando os seus familiares ouviram isto, saíram a ter mão n'Ele, pois diziam: «Está fora de Si!»</em> (Mc 3, 20-21).</p>
<p class="p2"> </p>
<p class="p3">Nestes poucos versículos vemos como os familiares de Jesus chegaram a pensar que Ele estivesse <em>fora de Si</em>, que tivesse <em>enlouquecido</em>. Ele está tão envolvido na sua missão que Se esquece até mesmo de comer! Por isso começam a dizer: «Está louco»!</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">Jesus é impelido pelo Amor e o Amor não pode ser travado, leva-nos sempre para a frente, derruba as fronteiras do bom senso e destrói os limites do razoável. As escolhas do Amor são sempre marcadas por aquilo que, aos olhos daqueles que se <em>consideram sensatos</em>, parecem ser atos de loucura. Estes, do alto da sua suposta sensatez, dizem: «O amor é cego!». Não, o Amor não é cego! Quem ama, simplesmente, não se deixa ficar pelos limites autoimpostos dos riscos calculados e vê muito mais longe do que a tentação da segurança do conhecido nos quer impor. O Amor é o olhar mais simples e verdadeiro, é aquilo (Aquele!) que nos permite ver.</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">Diante da omnipotência de Deus, podemos ficar bloqueados. Pensamos n’Ele como um ser perfeito e distante, um ser total e imutável, que do alto da sua torre de cristal contempla e avalia a nossa progressão sobre esta terra. Como consequência, consideramos que a presença do mal no mundo seja alguma coisa que Ele, mais ou menos tranquilamente, aceita. Certo, quer que nos salvemos, mas no fundo pensamos que Ele é o responsável porque, se quisesse mesmo, poderia terminar com todo o sofrimento.</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">Diz São Paulo, na carta ao Filipenses: «<em>Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo... rebaixou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte e morte de cruz». </em>Na sua omnipotência, Deus esvazia-Se a Si mesmo e renuncia a todo o poder. Ainda mais: renuncia à vontade do poder que escraviza. Jesus insiste que está entre nós como alguém que serve; esta é a maravilha: <em>a Verdade</em> incarna e liberta-nos esvaziando-Se.</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">Pavel Evdokimov, um teólogo Russo, professor em Paris e observador convidado no Concílio Vaticano II, em linha com a antiga Tradição da Igreja, dizia que o <em>esvaziamento</em> de Cristo de Si mesmo é a manifestação do «<em>Manikòs éros</em>», isto é, do «Amor louco» de Deus por nós. Deus é «louco» por amor. É de São Máximo, o Confessor (séc. VI), e Nicolau Cabásilas, um teólogo do século XIII, que refletiam sobre o Amor louco de Deus pelo Homem, que Evdokimov tira esta expressão da manifestação máxima da omnipotência de Deus: o seu Amor <em>louco</em> por cada um de nós que O leva a <em>esvaziar-Se até à morte e morte de cruz.</em></p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">Por Amor, Deus torna-Se infinitamente vulnerável para nos libertar, para que sejamos verdadeiramente livres. Ele não poderia impor-Se porque o Amor não Se impõe pela força. Diante do sofrimento absurdo que a vida nos pode trazer, diante de uma morte sem sentido ou de uma doença cruel de uma criança inocente, é a <em>fragilidade vulnerável e invencível </em>de Deus, esta manifestação absolutamente paradoxal da omnipotência de Deus, que devemos ter presente. O amor torna-nos vulneráveis e Deus, porque é Amor infinito, é <em>infinitamente vulnerável</em>: não pode fazer outra coisa que não seja sofrer connosco.</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p3">O deus impassível e severo de alguns teólogos revela-se em Jesus Cristo como um Pai misericordioso. Ele come com os pecadores e compadece-Se das nossas misérias: não é um deus imóvel, impassível, inacessível, perfeito na sua <em>incapacidade</em> de sofrer. Deus fez-Se <em>vulnerável </em>renunciando, livremente e por amor, à sua omnipotência formal. Ele compadece-Se de nós. Incarnando, manifesta o Amor que escolheu habitar entre nós e o Amor é sempre <em>vulnerável, </em>não o pode não ser, se é amor. E é na manhã do Domingo de Páscoa que se manifesta, resplandecente, a <em>vulnerabilidade frágil e </em>definitivamente <em>vencedora</em> do invencível Amor de Deus.</p>
<p class="p4"> </p>
<p class="p4"> </p>
<p class="p5"><em>Marco Cunha, sj</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:352582017-07-12T09:00:00Concede o teu perdão àquele que foste ontem2017-07-07T14:24:42Z2017-07-07T14:24:42Z<p><img title="f-20120910-133956.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6b02f9c7/20526557_3E20D.jpeg" alt="f-20120910-133956.jpg" width="500" height="375" /></p>
<p> </p>
<p>O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho – que nos deixou recentemente – propõe-nos no seu livro A Sombra do Mar estes versos de forte significado:</p>
<p> </p>
<p>«Concede o teu perdão àquele que foste ontem</p>
<p>e não te conhece hoje debaixo do chuveiro.</p>
<p>(...)</p>
<p>A verdade é só uma, o que tu foste ontem</p>
<p>já não te conhece».</p>
<p> </p>
<p>Recomeçar a cada dia constitui uma arte difícil. Transportamos no nosso seio as angústias pelo futuro que imaginamos, e em nós carregam-se as experiências do passado, muitas vezes amargas. Por vezes parece que nem merecemos uma nova oportunidade: já não vale a pena acreditar. Aqui se revela a importância vital que possui a Esperança na nossa vida: ela é o alimento que permite confiar e acreditar no presente e no futuro, apesar de tudo. Por isso outro poeta, Charles Peguy, declarava que a Esperança espanta o próprio Deus.</p>
<p> </p>
<p>Não se trata de começar do zero: pertence ao próprio Deus, e a Ele unicamente, o criar a partir do nada. Somos o que a história nos fez e o que nela construímos e desconstruímos. O sinal maior da vida cristã estará, talvez, na arte de transportar as feridas como um sinal da nossa identidade, única e original. No dia de Páscoa, o Senhor apresenta-Se aos seus discípulos com as marcas da sua crucifixão, e eles reconhecem-No: do mais profundo fracasso, da morte mais ignominiosa, da maior angústia, emerge uma plenitude de vida e de graça. E que maior recriação haverá do que o perdão?</p>
<p> </p>
<p>Os longos dias de verão podem suscitar em nós o cansaço e a sede do caminho; mas as suas frescas manhãs podem ser o sinal de um novo começo. «Concede o teu perdão àquele que foste ontem»; e segue o conselho de Macário, monge egípcio do século quarto, reparando nas suas palavras: «começa de novo»...</p>
<p> </p>
<p>«Cada dia, desde que te levantas, começa de novo a viver em toda a virtude e nos preceitos de Deus, com grande paciência e misericórdia, no temor e amor de Deus e dos homens, com humildade de coração».</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><em>Texto: Rui Vasconcelos</em></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 12pt;"><em>Imagem: Filippo Rossi, 'Paupertas, Spes', 2012.</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:349592017-07-05T10:00:00Descanso: direito ou dever?2017-07-04T16:19:49Z2017-07-04T16:19:49Z<p class="p1"><img style="padding: 10px 10px;" title="nathalia-bariani-100947.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0607661d/20520698_3OCnA.jpeg" alt="nathalia-bariani-100947.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p class="p1"> </p>
<p class="p1">É claro que descansar é um direito. Uma pessoa não é uma máquina de trabalho. Aliás, como recorda S. João Paulo II, numa sua Encíclica, «o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho» (<em>LE</em> 6). Só assim o trabalho pode ser qualificado como humano, como um exercício de humanização.</p>
<p class="p1"> </p>
<p class="p1">O Concílio Vaticano II, que continua a ser a bússola que indica o norte para a Igreja atual, sublinha com clareza: «É preciso adaptar todo o processo de trabalho produtivo às necessidades da pessoa e às diferentes formas de vida; primeiro que tudo da vida doméstica, especialmente no que se refere às mães, e tendo sempre em conta o sexo e a idade. Proporcione-se, além disso, aos trabalhadores a possibilidade de desenvolver, na execução do próprio trabalho, as suas qualidades e personalidade. Ao mesmo tempo que aplicam responsavelmente a esta execução o seu tempo e forças, gozem, porém, todos de suficiente descanso e tempo livre para atender à vida familiar, cultural, social e religiosa» (<em>GS</em> 67).</p>
<p class="p1"> </p>
<p class="p1">Mas o descanso é muito mais que um direito. É também um dever. O descanso é uma questão de justiça social, de justiça familiar, comunitária. Quem vive num ritmo excessivamente acelerado de vida, por vezes estonteante, sem tempo para exercitar o dever de parar, de descansar, não está apenas a prejudicar-se a si mesmo, mas é fonte de nervosismo, impaciência e cansaço à sua volta. É como um carro sem travões, que só para e estaciona quando se esbarra contra um obstáculo.</p>
<p class="p1"> </p>
<p class="p1">Luís de Camões assim adverte num verso luminoso: «Não te canses que me cansas». Descansar não é abandonar-se à preguiça ociosa, ao não fazer nada egocêntrico. Descansar deve ser um exercício de caridade prática, de altruísmo amigo. Os outros precisam de mim descansado, relaxado, pacificado. Descansar é um verbo comunitário, um serviço assistencial, um presente de paz que ofereço a quem convive comigo.</p>
<p class="p1"> </p>
<p class="p1">Não é verdade que contactar com certas pessoas, em determinadas situações de cansaço, nos enerva, complica e esgota? Por outro lado, é um tempo ferial, uma prática de descanso pacificador encontrar pessoas que nos transmitem o oxigénio da paz e do repouso. Porque não considerar o descanso como um serviço social, um ministério apostólico?</p>
<p class="p2"> </p>
<p class="p2">O descanso é mais que um anexo da nossa agenda de afazeres, um pormenor insignificante da nossa personalidade. A arte de descansar define-nos. «Diz-me como descansas e eu te direi quem és», assim parafraseio o conhecido ditado popular. O descanso não é uma fórmula mágica de relaxação dos músculos e nervos, uma receita automática de um são ritmo biológico. É sobretudo um modo construtivo de encarar a vida, um clima de paz interior que se cultiva, um coração disposto a amar aconteça o que acontecer. O descanso que é mera evasão de nós próprios não leva a lado nenhum, é um beco sem saída. Assim, afirma um autor: «Quando não encontramos o repouso em nós próprios, é inútil procurá-lo noutro lado» (La Rochefoucauld). Advertindo que só em nós está a chave da solução, assim nota Fernando Pessoa: «É em nós que é tudo... Ali, ali, a vida é jovem e o amor sorri».</p>
<p class="p2"> </p>
<p class="p2">Não obriguemos ninguém a pagar a fatura do nosso cansaço enervante. Ofereçamos a todos o cheque do nosso descanso pacificador. Descansar é um dever caridoso, altruísta.</p>
<p class="p3"> </p>
<p class="p4"><em>Manuel Morujão, sj</em></p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:347622017-06-28T09:00:00Aquele dom que está mesmo lá no fundo2017-06-20T10:26:28Z2017-06-20T10:26:28Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="OLF9260.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5507ae8a/20494557_ufNwe.jpeg" alt="OLF9260.jpg" width="500" height="334" /></p>
<p> </p>
<p>O leitor imagine que quer escrever um livro. Que sonhou durante alguns anos com escrever um livro e que finalmente se decidiu. Entusiasmaram-no a escrever um romance.</p>
<p> </p>
<p>Depois de ter começado, vieram as dúvidas. Mas para que é que eu estou a fazer isto? Mas será que tenho talento? E como é que eu sei que tenho talento? Isto é um tiro no escuro. E se o livro é um fracasso? E se não arranjo editor? E se ninguém compra? E se a crítica o desfaz? Enfim, há motivos de sobra para o leitor não andar para a frente.</p>
<p> </p>
<p>Por outro lado, vai mostrando bocadinhos a este e àquele, recebendo críticas, aperfeiçoando o texto, ganhando confiança e lá vai andando. Mas claro que continua a ser um tiro no escuro e essa tensão começa a ser insuportável. Escrever para a eventualidade de se chegar ao fim com um fracasso de todo o tamanho é insuportável. Então, é preciso alguma coisa que dê alegria ao ato de escrever. É preciso que escrever não seja só para se ter sucesso.</p>
<p> </p>
<p>A partir daqui, o leitor pergunta-se: porque é que eu comecei a escrever? E porque é que ainda estou a escrever? Comecei a escrever por um impulso, como que empurrado por alguma coisa interior. Chegou a hora de ver se isso que me empurra continua no tempo, tem energia para me empurrar ao longo de todo o processo de escrita, se tenho alegria ao escrever.</p>
<p> </p>
<p>Então, ou escrevemos por necessidade interior, escrevemos porque isso nos realiza, escrevemos porque temos prazer nisso ou não nos aguentamos na longa caminhada. Numa palavra, temos que escrever por amor a nós próprios. E também escrevemos por amor ao leitor. Escrevendo por amor, escrevemos necessariamente para Deus, pois que Deus é Amor.</p>
<p> </p>
<p>O leitor, se tem alguma coisa lá no fundo que há muito gostava de fazer mas não sabe se tem esse dom, arrisque. Se tem esse desejo lá dentro, vai ver que encontra prazer na caminhada e que Deus lhe aparece pela frente.</p>
<p> </p>
<p><em>Gonçalo Miller Guerra, sj</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:344332017-06-20T10:37:00São João Batista, solstício e comunidade2017-06-20T09:42:10Z2017-06-21T09:23:56Z<p><img style="padding: 10px 10px;" title="17117711_77OJv.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9f07bf43/20494503_IwQhp.jpeg" alt="17117711_77OJv.jpg" width="500" height="332" /></p>
<p> </p>
<p>Como o Sol que brilha intensamente nestes dias, S. João Batista é uma luz que indica o caminho da esperança e aponta a salvação. É a voz que clama no deserto e apela à consciência coletiva para se preparar para a chegada do Messias. Com coragem, S. João Batista anuncia valores novos para a sociedade, mostrando-se coerente no seu discurso e na mensagem de boa nova.</p>
<p> </p>
<p>A Igreja celebra o santo em duas datas: dia do seu nascimento, a 24 de junho, e a sua decapitação, a 29 de agosto. Fixado seis meses antes da Natividade de Jesus, o nascimento de S. João apelidava-se, noutros tempos, de ‘Natividade de verão’.</p>
<p> </p>
<p>A piedade popular sempre reservou para S. João Batista um lugar à parte dos apóstolos e dos santos, sublimando, na festividade joanina, algumas tradições pagãs ligadas à vida e à renovação.</p>
<p> </p>
<p>Exaltam-se as virtudes das ervas bentas e surgem, nas ruas, os alhos-porros, símbolos masculinos, e os manjericos e cidreiras, símbolos femininos.</p>
<p> </p>
<p>A água está presente nas orvalhadas, sinais de fecundidade, e nas cascatas de S. João, com os seus rios e fontes, espécie de presépio de verão na qual S. João Batista é a figura central e onde se encontram todos os elementos da comunidade.</p>
<p> </p>
<p>A luz e o Sol são recordados no fogo de artifício que cai do céu e nas fogueiras de S. João, que desafiam os mais corajosos a superar as dificuldades, trazendo-lhes boa saúde.</p>
<p> </p>
<p>Festividade de dimensão urbanística e, ao mesmo tempo, rural, a Natividade de S. João convida os participantes a apropriarem-se dos espaços comuns, como os pátios, adros e largos, para celebrar a grande festa, convertendo-os em grandes salas de convívio.</p>
<p> </p>
<p>É neste ambiente, em que toda a comunidade sai à rua, que se quebram barreiras. Dá-se horizontalização das relações: todos os estratos sociais se aproximam e convivem.</p>
<p> </p>
<p>A festa popular é, assim, uma manifestação do povo de Deus que se alegra, confraterniza e retira todas as barreiras sociais para que as pessoas se aproximem e vivam o S. João num clima especial de proximidade e de consciência coletiva.</p>
<p> </p>
<p>Bom S. João!</p>
<p class="sapomedia images"> </p>
<p> </p>
<p><em>Maria Betânia Ribeiro</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:341702017-06-13T14:21:00O Sonho de Alex2017-06-13T13:30:44Z2017-06-13T13:42:26Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="18835617_1290758827645083_2246082601937806217_n.jp" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4c125d79/20483250_0yN0w.jpeg" alt="18835617_1290758827645083_2246082601937806217_n.jp" width="500" height="500" /></p>
<p> </p>
<p>“É sempre fixe quando alguém trabalha em alguma coisa difícil e alcança o seu sonho. Espero que alguém se possa inspirar nisto”. A afirmação é do norte-americano Alex Honnold, um jovem de 31 anos que, sozinho, sem cordas ou qualquer equipamento de segurança, escalou estes dias o mítico “El Capitan”, uma escarpa com 900 metros, no estado da Califórnia, Estados Unidos da América.</p>
<p> </p>
<p align="JUSTIFY">Depois de três horas e 56 minutos a escalar, Alex Honnold chegou ao topo, sentou-se, comeu uma maçã, ouviu o chilrear dos passarinhos e descreveu a maior experiência da sua vida.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p align="JUSTIFY">Este feito do jovem americano pode servir de inspiração para pessoas de todas as idades e o seu testemunho pode ser transposto para um vasto campo de experiências e realidades.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p align="JUSTIFY">Alex sonhou e fez o possível, e se calhar o impossível, para concretizar o seu sonho. Tal como ele, todos na vida temos sonhos. Crianças, jovens, adultos e idosos sonham projetos, condições de vida, amizades... Alguns desses sonhos são concretizáveis. Outros mais utópicos...</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p align="JUSTIFY">Perante os sonhos que vamos tendo e que vão alimentando o nosso imaginário, importa não ter uma atitude passiva. Importa pôr os pés a caminho e lutar para que eles se realizem. Mesmo que o sonho como o idealizamos não seja completamente alcançado, o caminho que fizermos pode levar-nos a outros sonhos e a experiências que nunca tínhamos vivenciado.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p align="JUSTIFY">Ao assumirmos este tipo de postura, estamos a dar exemplo a outros, incentivando-os a, também eles, lutarem por aquilo que pretendem. Tal como aconteceu com Alex Honnold. Que o exemplo deste alpinista profissional possa servir de motivação, pelo menos a quem ler o seu testemunho.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<p align="JUSTIFY">Inspiremo-nos nas palavras de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.</p>
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<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><em>Cláudia Pereira</em></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:339152017-06-07T10:01:00Francisco, os Embriões e a Porcaria2017-06-07T09:17:17Z2017-06-07T09:22:22Z<p align="RIGHT"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="946.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc807a1ba/20472960_tWKzv.jpeg" alt="946.jpg" width="500" height="334" /></p>
<p> </p>
<p><strong>1.</strong> Há situações que me fazem regressar a temas sobre os quais tinha decidido deixar de escrever, não por falta de importância, mas por considerar os mesmos culturalmente decididos. É o caso do aborto livre a pedido. Sendo o “buraco negro” daquela que, apesar de tudo, continuo a chamar civilização ocidental, encontra-se, não obstante, culturalmente encerrado. A sua legalização não tem volta atrás e mesmo aqueles que nos opomos claramente a isso precisamos de o assumir, se queremos encontrar propostas alternativas capazes de manter vivo o direito dos nascituros à vida.</p>
<p> </p>
<p><strong>2. </strong>Recentemente, confrontei-me com uma dessas situações. O Papa Francisco, numa das suas publicações no Twitter, escreveu: “Nenhum fim justifica a destruição de embriões humanos”. Nada de extraordinário, trata-se da doutrina constante da Igreja sobre o tema. Extraordinário foi o comentário, também no Twitter, de uma das mais emblemáticas paladinas do aborto livre a pedido e de todas as outras causas fraturantes. Escreveu: “crianças a morrer por todo o lado e este preocupado com a porcaria dos embriões”.</p>
<p> </p>
<p><strong>3.</strong> Como se pode acreditar na preocupação pelas “crianças a morrer por todo o lado”, quando os embriões humanos são “porcaria”? E como se pode olhar para os embriões humanos – humanos, não de galinhas ou de macacos – como porcaria? Pode-se, sim, para lhes retirar a humanidade, a sua única defesa face ao abortismo militante. Desumanizadas, as crianças ainda por nascer são facilmente incluídas na cultura do descartável de que fala tantas vezes o Papa.</p>
<p> </p>
<p><strong>4. </strong>Escrevi acima que o aborto livre a pedido é o “buraco negro” da civilização ocidental. Eis porquê. Tendo eliminado o respeito por algumas vidas – as mais frágeis e invisíveis – acabará sugando o respeito por toda a vida: começa-se no aborto, continua-se na eutanásia para os muito idosos e doentes incuráveis que a desejem e, a seu tempo, irá tudo quanto fica pelo meio. Bastará ser desagradável – uma porcaria – para o culturalmente correto do momento.</p>
<p> </p>
<p><em>Elias Couto</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:337462017-05-31T08:00:00Perguntas sobre a Qualidade da Vida de Oração2017-05-30T14:15:45Z2017-05-30T14:16:13Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="rezar.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfe07e398/20458852_wa3hy.jpeg" alt="rezar.jpg" width="334" height="500" /></p>
<p> </p>
<p>Não há regras gerais para a oração, pois não há duas pessoas iguais. A sua individualidade, a sua história, o seu mundo dos desejos e as suas relações fazem cada pessoa única no mundo e única diante de Deus. Por isso, apresentamos aqui cinco breves questões, muito práticas, que poderão ajudar a ter consciência da qualidade da própria vida de oração.</p>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<ol>
<li>
<p align="JUSTIFY">Não existe boa oração sem paixão, ou seja, sem um coração que queira Deus e se mova com o desejo de O encontrar e ouvir. Isto tem como pressuposto que a pessoa que quer rezar tem uma certeza que é a base de tudo: Deus ocupa um lugar essencial no mundo das minhas relações?</p>
</li>
</ol>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<ol start="2">
<li>
<p align="JUSTIFY">O nosso dia a dia é feito de muitas ocupações, somos interpelados continuamente a dispor de tempo e energia para tudo o que nos vai surgindo. Para não ficar à deriva, é preciso priorizar, fazer primeiro o mais importante e a seguir aquilo que é secundário. A oração está na lista das prioridades?</p>
</li>
</ol>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<ol start="3">
<li>
<p align="JUSTIFY">A graça de Deus, que nos vai transformando na oração, mesmo que não sejamos conscientes disso, tem reflexo nas nossas atitudes perante a vida e os outros. O primeiro sinal de uma boa vida de oração é o crescimento de uma sensibilidade que permite ver que cada acontecimento, um encontro, uma situação boa ou má, são oportunidades que Deus nos dá para fazer algo que transmita bondade e paz. Os imprevistos com que me deparo tiram-me a paz, ou desafiam-me a dar o melhor de mim?</p>
</li>
</ol>
<p align="JUSTIFY"> </p>
<ol start="4">
<li>
<p align="JUSTIFY">O outro sinal da qualidade da vida de oração é o teste das nossas relações. Quem acaba de se encontrar comigo, sai mais triste ou mais feliz? Mais desanimado ou acolhido e com maior vontade de viver bem a sua vida?</p>
</li>
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<p align="JUSTIFY">Por fim, temos a consequência da oração. Não há vida autêntica de relação com Deus se isso não me leva à comunidade, através do serviço e da celebração. É essencial para mim servir os outros como missão evangélica e celebrar a minha fé com as outras pessoas, contando as maravilhas que Deus faz em mim?</p>
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<p align="JUSTIFY">A resposta positiva a todas estas questões indica que está no bom caminho da oração e que ainda poderá progredir muito na sua vida, animado e entusiasmado por Deus! Se a algumas perguntas respondeu negativamente, não desanime, aproveite esse ponto concreto para pedir a Deus a graça de um maior esforço. Deus dá-Se a quem deseja dar-se-Lhe de coração aberto.</p>
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<p align="JUSTIFY"><em>P. António Valério, sj</em></p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:334422017-05-23T15:15:00Um Deus de beleza2017-05-23T14:28:14Z2017-05-23T14:28:14Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="tough-at-the-top-1402244.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd612be6f/20445622_6ppyo.jpeg" alt="tough-at-the-top-1402244.jpg" width="500" height="410" /></p>
<p><br />Diz um autor russo, Pavel Florenskij, que «<em>a verdade manifestada é o amor. O amor realizado é a beleza</em>». Esta frase diz-nos de um modo muito condensado que a beleza está profundamente ligada à natureza de Deus. Como nos diz São João, «Deus é amor» e o amor manifesta-se como beleza.</p>
<p style="text-align: left;" align="CENTER"> </p>
<p align="JUSTIFY">Ao longo da história da Igreja, foram muitos os teólogos e pensadores que refletiram sobre esta questão. Hoje vemos que «a beleza está na moda», como diz um teólogo contemporâneo, Pierangelo Sequeri. O problema, diz Sequeri, é que muitas vezes confundimos a beleza com a mera <em>cosmética</em>, com os «enfeites» que adornam aquilo que em si não é beleza. Tentamos disfarçar a fealdade de algumas coisas das nossas vidas com mentiras. Queremos esconder aquilo que na nossa vida é escuro e feio com uma capa de <em>cosméticos</em>. Não é isso a beleza.<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY">O Cardeal Ratzinger, anos antes de ser eleito Papa Bento XVI, diz-nos que é importante renovar o modo como somos anunciadores do Evangelho. «A beleza, diz o Cardeal Ratzinger, é conhecimento (...), uma forma superior de conhecimento porque toca o homem com toda a grandeza da verdade. (...) O verdadeiro conhecimento é ser atingido pelo dardo da beleza que fere o homem (...). Ser tocados e conquistados através da beleza de Cristo é um conhecimento mais real e mais profundo do que a dedução racional». Ao longo deste discurso, o Cardeal Ratzinger vai sublinhando a pertinência de recuperarmos a importância da beleza como manifestação do Amor de Deus. De facto, chega mesmo a dizer que esta é «uma urgência do nosso tempo».<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY">Este não é um mero problema de bem-estar, ou um simples problema teológico, mas é, na verdade, um problema vital. Somos convidados a fazer da nossa vida um lugar de beleza, um lugar de espanto pelas maravilhas que o Senhor, o «Pastor Belo», nos dá <em>de graça</em> a cada passo da nossa vida.<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY">«Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova», diz Santo Agostinho, que faz uma profunda reflexão sobre a beleza e conclui que a razão de ser da alegria perfeita, do amor, do saborear profundo da vida, da união entre todos nós, numa palavra, de toda a beleza, é só Deus. Tudo o que existe vem de Deus Trino e é atraído por Ele. «Na Trindade encontra-se a fonte suprema de todas as coisas, a beleza perfeita, a alegria completa». É esta beleza que nos atrai e nos inspira a fazermos o movimento de saída de nós em direção ao Pai.<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY">A beleza verdadeira é aquela que nos atrai e faz passar das criaturas ao Criador, dos dons de Deus ao Deus de todos os dons, faz-nos ir «para além» do aqui e agora e atrai-nos para a nossa realidade mais profunda e completa, que é o abraço definitivo do Pai, a contemplação de Deus, o encontro amoroso que faz de nós filhos muito amados. A verdadeira beleza é aquela de um coração pacificado e encontrado. Esta brota da graça de Deus, morto e ressuscitado por cada um de nós.</p>
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<p align="RIGHT"><em>Marco Cunha, s.j.</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:331432017-05-17T10:44:00PEREGRINO COM MARIA2017-05-17T09:49:59Z2017-05-17T12:58:22Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="papa_fatima_1190.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3b07f829/20434160_VZIr4.jpeg" alt="papa_fatima_1190.jpg" width="500" height="334" /></p>
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<p>Peregrino veio, peregrino partiu. Falo evidentemente do Papa Francisco, que acaba de nos deixar, transportado por um avião da TAP, batizado (dizem-me) com o nome do grande e célebre pintor português (1475-1542) “Grão Vasco” do tempo dos Descobrimentos. Estamos na história a fazer-se nas “Terras de Santa Maria”.</p>
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<p>Veio a Fátima para celebrar o Centenário das Aparições de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos, mas insistiu que o fazia como peregrino com peregrinos numa Igreja que deseja ver como peregrina a sair “para fora”. Fez-se Peregrino de Nossa Senhora de Fátima, precisamente onde a história de Deus se cruza mais uma vez com a história de Portugal. Grão Vasco leva um pouco dessa história ao levá-lo de regresso a Roma para, a partir do centro da cristandade, continuar a sua peregrinação por outros mundos, outras terras e, já agora, por outros mares “ainda por navegar” e que vão para além de nós, do nosso mundo, dos nossos mares, da nossa história e até das nossas histórias.</p>
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<p>É para esse “para além de nós” que o Papa Francisco nos convidou a ir. Chamou-lhe “as periferias” onde habitam outras terras com histórias de clamores silenciados mas que bradam aos céus. Naquele pobre, sentado e de mão estendida há um grito (“Ajuda-me”); naquele sem-abrigo deitado entre cartões há um pedido (“Acolhe-me”); naquele toxicodependente há uma voz carente (“Ama-me”), e por aí adiante.</p>
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<p>Estamos no mundo dos pobres e abandonados, dos presos e desempregados, dos doentes e das pessoas com deficiências; estamos no mundo das carências de toda a ordem, sejam elas económicas ou sociais, morais ou espirituais; estamos no mundo do vazio (“Era do Vazio” alguém lhe chamou), onde aparentemente se tem tudo e não se tem nada, nem sequer a voz popular do “Quem tem uma mãe, tem tudo; quem não tem mãe, não tem nada”. Por isso, gostei de ouvir a voz comovida e convicta do Papa diante daquele mar de gente no recinto do Santuário: “Temos Mãe, Temos Mãe”. </p>
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<p>Não era preciso dizer mais nada, nem era preciso falar de Esperança e Paz. Bastava deixar-lhe o rosto a falar de ternura com os gestos a “tocarem” nas pessoas enquanto o carinho e a misericórdia lhes tocavam as vidas quais toques de Deus a acontecer em pinturas de luzes e sombras tão bem espelhadas no sol e nas nuvens do momento. Bastava o silêncio da oração prolongada para recolher tudo isso. E deixar-se ficar assim no colo da Mãe sem falar, apenas escutando e sem pensar, apenas sentindo. É nesse silêncio que por vezes acontece o milagre da Plenitude da Graça a encher os nossos vazios interiores com o Sol bailando em cântico de alegria. Mesmo sem o sabermos explicar.</p>
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<p>E partiu em jeito de despedida. Da partida de Fátima retenho o momento do Adeus do Papa com o lenço branco a abanar enquanto o olhar seguia a andor que levava Maria ao seu “recolhimento” na capelinha onde a devoção popular a “acolheu”. Da base aérea de Monte Real guardo a sua imagem, já na porta do avião, com a pasta preta na mão esquerda caída ao longo do corpo, enquanto a mão direita fazia o gesto comum e simples de despedida, que envia embrulhado no sorriso do olhar para o Presidente da República e o Bispo de Leiria-Fátima, nossos representantes. Espero que nos entreguem o gesto e o sorriso. E partiu como veio. Dizem que partiu contente. E nós contentes ficámos. Contentes e agradecidos.</p>
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<p><em style="font-size: 12pt;">Texto: A. da Costa Silva, s.j.</em></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><em>Imagem: Ricardo Perna/Família Cristã</em></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:apostoladodaoracao:328372017-05-10T10:34:00FÁTIMA, ALTAR DO MUNDO2017-05-10T09:50:51Z2017-06-07T09:23:55Z<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px 10px;" title="Fátima Santuário.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B60059e77/20422458_bjHrL.jpeg" alt="Fátima Santuário.jpg" width="500" height="271" /></p>
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<p style="text-align: justify;">Desde o Papa, a centenas de cardeais e bispos, a milhares de sacerdotes, a milhares de consagrados, a milhões de católicos, todos têm o olhar em Fátima, têm o coração em Fátima neste ano centenário, sobretudo neste dia 13, com a presença do Papa e a canonização dos Pastorinhos, com muitos milhares de peregrinos que se vão reunir na Cova da Iria, com milhões que vão estar unidos em oração em todo o mundo, dia 13 (e não só) através das rádios, de muitos canais da TV, de práticas de oração, de homilias, etc., etc. <br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">O mundo à nossa volta é desta vez o mundo à volta de Fátima, “altar do mundo”, à volta de Nossa Senhora e do seu Coração Imaculado, à volta dos Pastorinhos, os novos santos, à volta do Papa Francisco e com ele. Um mundo que se coloca no Coração da Mãe, um mundo que está presente em Fátima e ligado ao Papa e à Cova da Iria. Mesmo pagãos, membros de outras religiões, ateus, protestantes, etc. estarão unidos e se vão alegrar de ver, participar, estar com o olhar e o pensamento em Fátima, “altar do mundo”. A Mãe vai atraindo todos. No seu Coração caberão todos. O seu amor materno se estende a todos. Os Pastorinhos vão interceder por todos.<br /><br /></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">É bom não esquecer as muitas centenas, talvez muitos milhares que já peregrinam a pé para Fátima e que irão peregrinando nos próximos dias e durante o ano centenário. Peregrinações belas, dolorosas às vezes, mas com muita fé, muita oração, muita confiança no Coração da Mãe. Muitos corações e almas em sofrimento com problemas graves pessoais, familiares, problemas de saúde, de emprego, de dívidas, de violência doméstica. Problemas que levam muitos a caminhar a pé para o Santuário, altar do mundo, acompanhados por Maria, a Mãe de Jesus, a Senhora de Coração aberto.<br /><br /></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">O Coração da Mãe é refúgio, é bálsamo, é abrigo seguro. O Coração da Mãe vai encaminhando todos e tudo, pessoas e países, para Deus, para a paz, para a reconciliação. Ela é a Saúde dos enfermos, o Auxílio dos cristãos, Refúgio de pecadores, Ela é fortaleza para a luta contra o pecado e contra o mal, Ela é amor vivo a interceder por todos, Ela é a Mãe vencedora de todas as batalhas. Todos, mas de um modo particular os pecadores, os doentes, os marginais, os pobres, os desavindos, têm um lugar privilegiado no seu Coração. Os que passam fome, os que vivem em guerra, os que não têm casa nem amor de família, encontram na Mãe e no seu Coração Imaculado a graça, o amparo, o caminho do Céu.<br /><br /></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">O Francisco e a Jacinta, Santos a partir do dia 13 de maio, serão grandes e insignes protetores, intercessores do mundo, da Igreja, do Papa, dos peregrinos. Elevados à dignidade de Santos, ficam mais perto do Coração da Mãe, de Jesus, da Trindade e mais perto de nós e com mais poder para interceder.<br /><br /> </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">O mundo à nossa volta vai sendo cada vez mais um mundo à volta de Maria, a Mãe Imaculada, um mundo à volta dos Santos Pastorinhos. Estamos todos bem acompanhados, bem vigiados, bem ajudados. Temos mais dois mestres que nos ajudarão a rezar, a fazer penitência, a amar Jesus e a adorá-Lo na Eucaristia, a amar os pobres e necessitados, a rezar e amar o Papa, a estarmos no Coração da Mãe.</span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;"><br /></span>Os Santos Francisco e Jacinta nos ajudarão a rezar mais pelos pecadores, a colaborar na redenção, a ser instrumentos vivos na paróquia, na Igreja, a ser mais colaboradores do Papa rezando por Ele e pelas suas intenções como fazem milhões de membros do Apostolado da Oração. Com os Santos Francisco e Jacinta, poderemos interceder mais para que todos se salvem, para que haja paz no mundo, para que não haja fome, violência, pecado, ódio. Com o auxílio dos dois novos Santos, vamos caminhando na fé, na esperança, na caridade, irão aumentando os que acreditam, os que se confessam, os que comungam bem, os que desejam o casamento religioso.<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY">O mundo à nossa volta vai-se transformando aos poucos e ficará mais perto de Deus. Será um mundo mais fraterno, mais justo, mais aberto à beleza do amor, mais sensível à vida, aos pobres, aos deslocados e emigrantes, aos sem-casa e sem-amor. Parece que cada vez há mais pessoas interessadas a ajudar os outros, a dispor de si, do seu tempo, dos seus bens, para amar e servir. Nossa Senhora irá ajudando a converter mais corações empenhados no bem, em ajudar, em servir. Há mais gente a rezar cada dia e a dispor-se para servir melhor os outros.<br /><br /></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-size: medium;">Estamos em caminhos de esperança. E os muitos milhões que passaram em Fátima este ano centenário ficarão, de certeza, mais tocados pela graça e com um desejo renovado de vida mais digna, mais santa, mais de Deus e para Deus. Todos no altar do mundo se deixarão tocar pela graça e olharão os Pastorinhos como modelos. E a Mãe olhará e ajudará a todos a sermos menos piedosos e mais cristãos, mais homens e mulheres de Evangelho.<br /><br /></span></p>
<p style="text-align: left;" align="RIGHT"><span style="font-size: medium;"><em>Dário Pedroso, sj</em></span></p>
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